No Jardim Santiago, na zona oeste de Londrina, uma boca-de-lobo é diferente da outra. Na esquina das ruas Ruy Virmond Carnascialli e Jorge Silvestre, o mato e o barro fizeram com que o presidente da Associação de Moradores, Custódio Rodrigues do Amaral, 63 anos, demorasse um minuto para achar o local certo do bueiro. Na Rua Ébano, o interior da boca transformou-se em ''viveiro'' de pés de manga. Já na Rua Amendoinzeiro, soterradas pela terra e pelas pedras, elas simplesmente não existem mais.
As bocas-de-lobo entupidas são uma das principais reclamações dos 40 mil habitantes que vivem na região, uma das mais populosas de Londrina. ''Tem gente que cuida, eu mesmo vivo limpando a boca que tem aqui em frente, mas o barro e a sujeira vêm lá de cima com a água da chuva'', lamenta o carpinteiro Ataide de Souza, 66 anos.
Quem chega ao bairro depara-se, aqui e ali, com muita sujeira e entulho pelas ruas e calçadas. Custódio ressalta que os próprios moradores também têm que se conscientizar e ajudar a diminuir o volume de barro e lixo que deixam pela rua. ''Mas não custa nada para a prefeitura dar mais atenção ao problema'', comenta.
Outra área que sofre com a sujeira é o fundo de vale do Ribeirão Quati, onde os depósitos de entulho e lixo são diários. ''Já fizemos arrastão, mas não adiantou'', lamenta Custódio. O local mais crítico é o tradicional ''Buraco da Pantanal''. O buraco criou-se em torno de uma saída da canalização pluvial, e abriga de papel a carrinho de nenê, de garrafas a sofás depenados.
Água de algum vazamento rua acima corre permanentemente pelo local e empoça por baixo dos entulhos. A desempregada Estelita Pereira da Silva, 58 anos, uma das moradoras mais antigas da Rua Pantanal, diz que grotão já ganhou até festa de aniversário. ''Quando eu cheguei aqui, há 16 anos, a rua ainda não tinha nome, mas o buraco já existia'', afirma Estelita.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, reconhece que as bocas-de-lobo são um problema crônico não só no Jardim Santiago, como em toda Londrina. ''A maior parte delas nunca passou por limpeza e está entupida com muitas pedras e areias'', lembra. Ele diz que a equipe de limpeza vem trabalhando de forma gradual e irá limpar 25 mil bueiros nos próximos meses.
Já o secretário de Obras de Londrina, Aloysio de Freitas, lembra que o buraco da Rua Pantanal é resultado de uma série de problemas que ainda precisam ser resolvidos. ''É uma situação complexa. A água deveria ser canalizada até o ribeirão Quati mas não é, o que causa a erosão. O local também é um fundo de vale, tem construções irregulares, e virou depósito de entulhos e todo o tipo de lixo'', diz o secretário.

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