A comunidade do Jardim Santa Fé (Zona Leste de Londrina) prepara para hoje uma manifestação em frente ao 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) de Londrina, em protesto pela morte de Jamys Smith da Silva.
O protesto foi planejado na manhã de ontem por moradores que assistiram ao sepultamento de Jamys, no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte). ''Nossa intenção é mostrar que a polícia tem um tratamento diferente para os pobres e para os ricos. Já ouvi alguns deles dizerem até que ações como as de ontem são 'abordagens de rotina', um absurdo'', disse Vanderlei Neres, um dos amigos de Silva. ''Chamaram Jamys de 'neguinho vagabundo'. É uma prova de que não têm respeito pela comunidade'', afirmou um familiar do rapaz morto, que pediu anonimato.
O sepultamento foi assistido por centenas moradores do Jardim Santa Fé, onde Jamys era conhecido como um rapaz trabalhador e honesto. A mãe do jovem, a doméstica Sueli Aparecida de Paula Teodoro, reclamou do descaso do comando da PM com relação à morte do filho. ''Até agora não fizeram contato comigo. Bateram no meu filho até a morte, esperaram 40 minutos com ele preso no camburão antes de levá-lo a um médico. Temos que cobrar uma atitude porque amanhã a vítima pode ser o filho de qualquer outra pessoa''. Abatida, a esposa de Jamys, Keli Patricia da Silva Costa, estava preocupada com o futuro do filho. ''Tenho um filho de cinco meses com ele, que sempre me ajudou na criação. Não sei o que vou fazer agora, já que estou desempregada''.
A mãe falou sobre a agressividade com que Jamys foi tratado pela PM ao citar informações que teriam sido divulgadas pela Administração de Cemitérios e Serviços Funenários de Londrina (Acesf). ''Ele teve hemorragia no fígado, ficou todo quebrado na altura das costelas. Foi brutalmente espancado'', descreveu Sueli. ''Temos que cobrar justiça e o mínimo que eu espero é a expulsão destes homens da Polícia'', continuou.
A hemorragia foi confirmada pelo coordenador administrativo do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, Fernando Piccinin. Segundo o laudo divulgado ontem pelo IML, Jamys sofreu ''trauma toráxico abdominal fechado e hemorragia hepática''. ''As agressões provavelmente foram desferidas com socos, pontapés ou cacetete'', explicou Piccinin.
Procurado pela reportagem da Folha momentos antes de ser afastado do comando da PM de Londrina, o tenente-coronel Manoel da Cruz Neto limitou-se a dizer apenas que os soldados Ferraz e Aurélio, dois dos envolvidos no incidente, continuavam detidos no 5º BPM e que foram autuados em flagrante pela morte de Jamys Silva. ''Já pedimos a abertura do inquérito militar para a apuração da ocorrência. Os procedimentos devem ser concluídos em uma semana'', disse.

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