Cerca de 30 pessoas se reuniram na manhã de ontem, no Jardim Santa Fé, Zona Leste de Londrina, para protestar contra a morte do carregador Jamys Smith da Silva, 20 anos, ocorrido no último domingo. Parentes, vizinhos e amigos caminharam durante uma hora e quarenta minutos pela cidade com faixas pedindo paz e justiça. O ponto final foi o 5º Batalhão da Policia Militar (BPM), onde os manifestantes foram recebidos pelo capitão de plantão.
  ‘‘Não queremos que as pessoas esqueçam o que aconteceu’’, declara Keli Patrícia da Silva Costa, de 18 anos, ex-namorada da vítima. Jamys foi espancado na madrugada do último dia 15 de maio por policiais militares que apuravam uma reclamação de perturbação do sossego por causa de uma festa que acontecia na casa da vítima. Jamys teria se recusado a abaixar o volume da música e, na confusão, foi agredido com cassetete, socos e pontapés, que provocaram uma grave hemorragia interna e, posteriormente, a morte do rapaz.
  A ex-namorada da vítima relatou à reportagem da Folha que Jamys teria escrito uma carta com tom de despedida para o filho, no último dia 25 de abril. ‘‘Parecia que ele sabia que algo iria acontecer’’, contou. Na carta, o rapaz dizia ao filho Jhafter, de seis meses, que ele era responsável por uma mudança em sua vida. O carregador conta na carta que tinha muitas mágoas e rancor no peito, mas que o nascimento do bebê o fez caminhar de novo. Ao final, Jamys dizia que estaria com ele eternamente.
  O crime gerou a prisão dos policiais Juliano Ferraz Dias e Marco Aurélio da Silva Barbosa, o afastamento de outros 20 e derrubou o então comandante do 5º BPM, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto. ‘‘O que eu quero mesmo é que eles fiquem presos em cadeias comuns’’, afirmou a mãe da vítima, Sueli Aparecida Paulo Teodoro.
  Desde o Terminal Rodoviário de Londrina, os manifestantes foram escoltados por duas viaturas e quatro motos da PM. Na chegada ao 5º BPM, o Capitão Fábio Luiz Rincoski recebeu todos as pessoas em uma sala e esclareceu as dúvidas da presentes. Além do caso da morte de Jamys, alguns moradores do Jardim Santa Fé relataram outras situações na qual os policiais abusaram do poder. ‘‘Nestes casos pedimos que o batalhão seja infor-mado’’, disse o capitão. Rincoski também propôs à mãe da vítima que formasse uma comissão de quatro pessoas para acompanhar o andamento do processo. Sueli ficou de estudar a proposta.

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