Moradores do Assentamento San Rafael, Zona Leste de Londrina, reuniram-se ontem com o presidente da Companhia de Habitação (Cohab), Carlos Eduardo Afonseca e Silva, para tentar viabilizar a regularização do terreno onde moram. A área foi invadida em feverreiro de 1998, mas somente há duas semanas os moradores tiveram a confirmação que o local continua irregular. ''O que foi passado para a gente é que nosso bairro consta como área verde, de preservação. Mas na administração passada fomos informados que ninguém ia tirar a gente daqui e que estava tudo certo'', disse o garçom Claudemir Guabiraba, de 26 anos, que mora no bairro há três anos.
Durante a reunião, Silva informou que já enviou documentos ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e à Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) para que eles definam se a área é de preservação. ''Queremos saber como é a situação, se o terreno é loteável ou não'', disse o presidente da Cohab. Ele acredita que parte do lote tem condições de ser regularizada, mas antecipou que se a resposta for negativa a Cohab deverá estudar uma nova área e alocar verbas para contrução de um novo conjunto habitacional. ''Não vamos tirá-los de lá da noite para o dia. Temos que considerar que eles estão há mais de seis anos no local'', disse Silva.
Guabiraba, que presidia a comissão formada por 30 moradores, avaliou como positiva a conversa. ''Agora vamos esperar a resposta destes órgãos para sabermos onde teremos que brigar depois'', disse o garçom. O diretor técnico da Sema, Marcos Tersarial, confirmou o recebimento do documento e disse que os técnicos devem visitar o local para analisar a situação. Tersarial acredita que até o final da próxima semana a secretaria já tenha enviado um parecer. A reportagem procurou chefe regional do IAP, Ney Paulo, mas ele estava em Porecatu (85 km ao norte de Londrina) e disse que só se pronunciaria quando voltasse a Londrina.
Com este empecilho, outros problemas da comunidade, como a falta de pavimentação asfáltica e rede de esgoto, foram colocados em segundo plano. ''Enquanto não resolver esta situação, se alguém vier asfaltar alguma rua pode ser multado'', explicou o garçom. A dona de casa Rosimara Moreira da Silva, de 29 anos, contou que a filha de cinco anos às vezes é motivo de piada na escola porque chega com os pés sujos. ''Quando chove não tem jeito, até atravessar esta rua o pé fica coberto de lama''. Outros problemas apontados pelos moradores são a poeira, que também causa problemas respiratórios.
''Já melhorou bastante, agora tem luz e água. Mas as fossas ainda são um problema'', relatou a auxiliar de serviços gerais Shirlei do Nascimento, de 49 anos. Ela que se denomina ''uma das fundadoras'' do bairro, disse que a maioria das casas possui fossas que precisam ser esvaziadas constantemente. O presidente da Cohab, garantiu que nos próximos dias um caminhão da Vigilância Sanitária deverá ir até o local para limpar as fossas.

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