Moradores do Parque Universidade lutam por melhorias no bairro
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terça-feira, 02 de setembro de 2014
Walkiria Vieira<br>Equipe NossoDia 
Londrina - Bem pertinho do Parque Universidade, na zona oeste de Londrina, ficam os condomínio de luxo, com mansões e todo o conforto que o dinheiro pode pagar. Já no bairro de famílias humildes, a situação é bem diferente. Ali, a realidade que impera é a do abandono. "Quando escurece, sair de casa é proibido", afirma a vendedora autônoma e líder comunitária Maria Pureza Santos Nascimento, 54 anos.
"A maioria das lâmpadas dos postes estão queimadas e as poucas que sobram não dão conta do breu. Por isso, não deixo meus filhos nem netos saírem a partir das sete da noite", reforça.
Maria Pureza recorda que quando se mudou para o bairro, há 23 anos, haviam só duas casinhas, muito mato e nenhum ponto de ônibus ou outros equipamentos públicos. "Suei muito para pagar minha casa. Imaginei que o bairro iria ganhar investimento e valorização depois de tanto tempo, mas infelizmente pouco mudou. Surgiram mais casas, moradores, mas a infraestrutura deixa muito a desejar."
Inaugurada em maio de 2002, a Escola Municipal Ruth Ferreira de Souza acolhe 207 alunos, dos 6 aos 80 anos, do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, EJA e Cebeja. Ela funciona de manhã, tarde e noite, atendendo moradores dos jardins Columbia A, B, C, D, João Turquino e Maracanã. Mas a moradora reclama que a descrença aumenta ano a ano por conta do completo abandono da escola. "O muro caiu há quatro anos. Uma parte foi em abril, depois da chuva, e as mães não se sentem seguras principalmente agora que, por causa da duplicação da PR-445, o movimento de carros aumentou muito e as crianças ficam vulneráveis", aponta. Os próprios moradores fizeram um mutirão para retirar entulho "da época da construção".
O diretor da escola preferiu não dar entrevista, mas reforçou que os pais reivindicam melhorias no bairro e na escola há bastante tempo. Maria Pureza complementa que a falta de manutenção contribuiu para a situação atual.
Nas ruas próximas à escola, a moradora mostra um terreno tomado pelo mato, onde era para ser uma praça: "Tá assim, abandonada". Como as raízes das árvores tomaram a calçada, quem circula pelo trecho tem que andar na rua, correndo o risco de ser atropelado. Mais à frente, a moradora indica o ponto de ônibus. "O banco é improvisado, o chão é de terra e quando chove vira uma lama só." Praticamente todas as bocas de lobo estão entupidas. No bairro não existe Centro Comunitário, Capela Mortuária e nem mesmo academia ao ar livre. "O posto de saúde mais próximo fica a meia hora", lamenta.
Cansada de esperar por mudanças, a moradora, que se esforça para concluir o Ensino Médio, criou, com outras famílias, a Associação de Moradores Unidos do Parque Universidade. "Aqui na periferia, a maioria trabalha na construção civil, no comércio, na área têxtil ou como domésticas. Falta tempo para correr atrás dos problemas do bairro. Eu, que sou autônoma, decidi ir atrás de solução para todos nós porque o povo reconhece os seus direitos e está cansado", avisa.
De acordo com informações da Secretaria Municipal de Educação, a diretora de Planejamento da pasta, Viviane Faveri Pitz, tem conhecimento de todos os problemas da Escola Ruth Ferreira de Souza. "Está tudo em licitação e todas as providências necessárias serão tomadas." Entretanto, não foi informado nenhum prazo para início das obras de benfeitorias.


