Moradores do Novo Horizonte vão à Cohab pedir melhorias
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quinta-feira, 26 de junho de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A desempregada Rita Ivanil da Silva já teve a casa arrombada nada menos que três vezes. Ela registrou boletim de ocorrência desde o início, mas não adiantou: perdeu desde o aparelho de som recém-adquirido até vasos sanitários, pias, sofás, entre outros itens da mobília. O caso seria somente mais um entre os tantos registrados pela polícia de Londrina, todos os anos, se os ladrões não tivessem dado as três desagradáveis surpresas a Rita no período de uma semana.
O caso pertence ao residencial Novo Horizonte (zona norte) e não é nem um pouco isolado. Assim como ela, outros moradores têm sido diariamente ameaçados pelo aumento da criminalidade na região, especialmente devido ao tráfico de drogas. Isso motivou a criação do grupo que entregou ontem um abaixo-assinado com 103 assinaturas à direção da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), responsável pelas mais de 300 construções do bairro. Segundo os mutuários, a insegurança há muito afetou o investimento no imóvel, adquirido na última administração por meio do programa Poupalar: apesar dos R$ 12,3 mil que devem ser quitados com a Cohab em até 120 parcelas, há moradores abandonando suas casas, ameaçados por traficantes, ou simplesmente as vendendo bem abaixo do valor. Outros tópicos abordados no documento são o asfaltamento das vias de acesso, a limpeza das ruas e o policiamento ''efetivo e repressivo'' no local, bem como a implantação de mais uma linha de ônibus .
''Vendi minha casa por R$ 1,2 mil, com medo de ficar ali'', conta uma das moradoras, que, a exemplo de praticamente todo o grupo, não quis se identificar, temendo represálias. Uma moradora foi taxativa: ''O Novo Horizonte virou uma espécie de sucursal do inferno, uma área onde vivemos sob a lei da mordaça imposta pelos bandidos'', desabafou. De acordo com ela, muitos ali levam os filhos às casas somente aos finais de semana, já que em dias normais é impossível deixá-los sozinhos enquanto se está fora, trabalhando. ''O tráfico nos rodeia. É até comum vermos crianças envolvidos nele, armadas'', relata.
O diretor-técnico da Cohab, Rosalmir Moreira, garantiu que algumas medidas já foram adotadas. Entre elas, está a instalação de quatro superpostes (que medem mais de 15 metros) prometidos pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) em reunião realizada há cerca de 15 dias. A mais efetiva, porém, parece ser um diálogo com a Caixa Econômica Federal para que ela repasse verbas do PSH (Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Popular) a fim de que o valor das prestações seja reduzido. ''Esperamos, com isso, reduzir até 50% dessas parcelas'', adiantou. Moreira revelou também uma parceria do município com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o financiamento de um barracão de emprego, da urbanização de fundos de vale e da construção de uma quadra poliesportiva.
Questionado sobre as denúncias dos moradores de que há casas no residencial ocupadas por invasores, o diretor informou que a companhia já está entrando com ações de reintegração de posse. ''Entretanto, é preciso que a comunidade nos notifique desses casos'', recomendou.


