Moradores do Interlados vivem sob ameaças
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sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Violência, intimidação, assaltos, agressões, estupros, consumo de drogas. Inseridos neste contexto vivem os moradores do Jardim Interlagos e bairros vizinhos, na Zona Leste de Londrina, desde o fechamento do posto policial do bairro, há cerca de sete meses. E, além de serem obrigados a conviver com o clima de tensão e insegurança que assola a região, os moradores ainda são ameaçados por traficantes e criminosos para não procurar a polícia. Por esse motivo, a reportagem está usando nomes fictícios dos moradores.
''Aqui o que vale é a lei do silêncio, da mordaça. Se eu contar quem são as pessoas que praticam os crimes aqui, você pode vir ao meu velório amanhã.'' Assim um dos moradores mais antigos do bairro, José, descreve o ambiente com o qual os moradores da região são obrigados a conviver. Segundo ele, que reside no bairro há mais de 30 anos, toda a vizinhança conhece os autores dos crimes e os líderes do tráfico de drogas, que atinge também os assentamentos vizinhos, como o Monte Cristo, Santa Fé e Marabá. ''São quatro. É só isso que eu posso falar'', resumiu.
Segundo outro morador do local, Pedro (também nome fictício), o grupo de criminosos lidera o tráfico na região, apontado como a causa para todas os outros atos de vandalismo e violência que assola a população. Assaltos a residências e a pedestres, estupros e agressões já foram presenciadas por José e Pedro.
''Há cerca de duas semanas, um grupo de delinquentes, inclusive com menores entre eles, pegou uma menina, uma cadeirante, e a agrediu muito. Só não a estupraram porque um outro morador interferiu. Ele, inclusive, teve que fugir da cidade para não ser morto'', lembrou Pedro.
José lembra de outro caso de violência, ocorrido em maio. ''Vi um homem ser morto a tiros em frente ao módulo policial desativado. Para mim, foi a coisa mais chocante que eu já presenciei'', afirmou José. O caso a que o morador se refere é o homicídio de Genivaldo Almeida dos Santos, 27 anos, morto com um tiro na testa.
Nos assentamentos vizinhos, a descrição das situações vividas pelos moradores é semelhante. De acordo com Henrique, é comum moradores de barracos abandonarem as casas após receberem ameaças. ''Os bandidos chegam e ameaçam pôr fogo no barraco se a família não sair. O que qualquer pessoa faria nessa hora?''
Segundo Pedro, o bairro registra em média três assaltos a residências por semana. E os moradores, que afirmam conhecer os autores dos crimes, preferem não levar os casos à polícia. ''Não adianta. Muitas vezes é até pior, porque corremos o risco de sermos mortos pelos criminosos se eles souberem que os denunciamos.''
O apelo dos moradores é dirigido ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar. Segundo Pedro, a população do bairro conhece as dificuldades enfrentadas pela PM, mas exige segurança ostensiva. ''Não podemos mais tolerar isso aqui. O Interlagos virou um quartel chamado 'Inferninho', comandado por quatro pessoas, que até a polícia sabe quem são.''


