A trepidação do tráfego intenso de ônibus na Rua José Bernardo, no Conjunto Cafezal II, zona sul de Londrina, tem tirado o sono de muitos moradores. Muros e paredes de várias casas da rua estão rachando. ''Este asfalto não é apropriado para linha de ônibus transitar'', argumentou o funileiro autonômo Manoel Fernando da Silva, que reivindica o recapeamento do asfalto esburacado.
A dona de casa Maria Nilda Trindade Camargo, disse que os moradores convivem há anos com os buracos na José Bernardo, mas que agora a situação está insustentável. ''Quando o ônibus passa pelos buracos, treme tudo. As paredes da minha casa estão se separando'', contou, preocupada. ''Não consigo mais dormir direito.''
De acordo com os vizinhos de Maria, a trepidação também ocorre quando outros veículos pesados, como caminhões, passam pela via. ''As casas chegam a tremer. O forro de gesso e a armação de arame fazem até barulho'', confirmou a dona de casa Francisca Rocha Rosendo.
Indignados, os moradores chegaram a cortar o asfalto e fazer uma valeta no meio da rua para evitar que os ônibus passassem em alta velocidade. ''Queríamos chamar a atenção das autoridades'', argumentou Silva. A rachadura na casa do funileiro autônomo Valdir Alves Torres surgiu há oito meses e dia-a-dia aumenta mais. ''Queremos uma solução'', pediu Torres.
Segundo o funileiro, há cinco meses os moradores pedem providências para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e Secretaria Municipal de Obras.
O diretor interino de pavimentação da Secretaria Municipal de Obras, Cláudio Mucin, reconhece que ''a via não foi projetada para o tráfego de ônibus'' e que o recapeamento exigido está previsto para este ano. ''Não temos ainda uma data definida'', declarou o diretor interino.
Segundo Mucin, a secretaria enviou uma equipe para uma operação tapa-buracos no local, há cerca de quatro meses. Mas a equipe teria sido impedida de trabalhar por um protesto das mulheres do bairro que queriam o recapeamento.
A assessoria da Companhia de Urbanização informou ontem que os ônibus passam pelo Conjunto Cafezal II desde 1983 e que, na época, a autorização para circulação no local partiu da extinta Secretaria de Serviços Públicos. A companhia não pretende, a princípio, mudar o itinerário do transporte coletivo no local.

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