Moradores do
Condor paga
água para vizinho
Donizete Rosão, 40 anos, se mudou para o Conjunto Condor há apenas dois meses. Além da casa, ele ganhou problemas. É que o mutuário anterior tinha praticamente destruído a moradia. Com isso, Rosão entrou na residência sem vidros, sem portas e com fornecimento de água e de luz cortados. ‘‘O morador anterior deixou dívidas de R$ 123,00 na Sanepar’’, conta. Para piorar, a Sanepar já tinha feito renegociação com o ex-mutuário e agora não renegocia mais as dívidas.
‘‘Queria parcelar essa conta porque não tenho como pagar à vista’’, explica Rosão. Com as torneiras de casa vazias, ele teve que negociar com o vizinho, Antônio Carlos da Silva Lopes, 49. Rosão usa água da casa de Lopes e, no final do mês, divide a conta. No último mês, ele teve que dar R$ 20,00 para o vizinho. ‘‘Graças a Deus ele está me ajudando’’, frisa Rosão. Para acabar com essa dependência, no entanto, ele promete radicalizar: ‘‘Vou furar um poço’’.
Lopes também está fornecendo água para uma outra vizinha, Castorina dos Santos Brizola, 50 anos, que mora com o marido, uma filha adulta e cinco crianças. ‘‘Não pagamos nenhuma prestação e já estávamos há mais de um mês sem água e sem luz’’, conta. Castorina vai todos os dias com um balde em busca de água na casa de Lopes. ‘‘Nosso medo é que a conta do vizinho aumente demais e ele também não possa pagar’’. (S.S.)

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