Moradores do altos do Igapó exigem policiamento
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quarta-feira, 09 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Duas horas antes da reunião realizada anteontem à noite entre moradores do Altos do Igapó (Zona Sul) e representantes das polícias Militar e Federal, o secretário de paróquia Eleandro Rodrigues Queiroz, 22 anos, teve seu carro arrombado e o toca-cds furtado no Parque Guanabara. Ainda assustado com o crime, ele levou seu relato para o encontro, ilustrando exatamente o motivo da reunião: o aumento da criminalidade naquela região.
''Estacionei o carro em frente à residência de uma paroquiana e, no que eu entrei na casa, aconteceu o arrombamento. Foi questão de dois minutos: o alarme disparou, eu corri e vi que já havia uma moto funcionando, esperando pelo ladrão. Ele fugiu com meu toca-cds e me deixou um prejuízo de R$ 700,00'', contou Queiroz. O furto ocorreu por volta das 17h30 e, segundo a vítima, nenhuma viatura da polícia apareceu, mesmo depois de ter sido chamada.
Cenas como essa são cada vez mais comuns, de acordo com o presidente da Associação de Moradores do Altos do Igapó, Ewerton Cangussu. Além do Parque Guanabara, a região compreende os jardins Cláudia e Bela Suíça, a Gleba Palhano, a Quinta da Boa Vista e o Residencial do Lago. O presidente aponta que as cerca de 20 mil pessoas que residem ali convivem diariamente com arrombamentos de carros, furtos, roubos e tráfico de drogas. O principal motivo, segundo ele, seria a grande concentração de bares e lanchonetes nas redondezas.
''A região chama a atenção pelo número elevado de bares, que acaba concentrando veículos e grande volume de pessoas, ou seja, vítimas em potencial. Aumentam também as oportunidades de 'comércio' para os traficantes'', argumentou Cangussu, que também teve um toca-cds furtado no mês passado. Dono de uma oficina na região, Edson Magalhães Borba, 52 anos, acrescentou que os furtos aumentam à noite e nos dias de maior movimento nos bares. ''Essas ruas enchem de carro. Aí é vidro estourando, porta arrebentando, um corre-corre atrás de ladrão. Tem um monte de flanelinha mas ninguém evita os crimes, nem a polícia'', denunciou.
Cangussu criticou o poder público por permitir a proliferação de bares em uma área residencial, mas disse que no momento a principal exigência dos moradores é por mais ações da polícia. ''A Polícia Militar garantiu que fará rondas, blitz e revistas na região. Também solicitamos uma viatura do projeto Povo (Policiamento Volante Ostensivo) para os nossos bairros'', ressaltou.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, Manoel da Cruz Neto, confirmou que as ações serão intensificadas na região. ''Vamos desenvolver operações veladas e ostensivas. Em setembro, quando teremos a formatura de policiais, é possível que esses bairros sejam incluídos no Povo'', comentou. Já o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Filho, voltou a ressaltar a necessidade de reativar o 6º Distrito Policial (DP), que hoje funciona precariamente na sede da 10 Subdivisão Policial.


