A polêmica envolvendo a Casa de Detenção, com impasse entre a sugestão do governo em construir na zona oeste para reduzir a criminalidade e a oferta do município em ceder uma área na zona sul, já teve um precedente semelhante em Londrina. Há cerca de 12 anos, quando os pilares da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) começaram a ser erguidas, a comunidade do ainda pouco povoado Jardim Acapulco (zona sul) se mobilizou contra a obra, temendo o aumento da criminalidade na região. Hoje, a vizinhança da penintenciária, que foi inaugurada em 1994, é comemorada pelos moradores.
O aposentado Valdomiro Blum, 73 anos, mora no bairro há 19 anos e viu a PEL ser construída no final de sua rua. ''Na época, um pouco antes da construção, apareciam por aqui um monte de maloqueiros e até chegaram a entrar na minha casa, foi a única vez que roubaram alguma coisa de mim'', conta. Segundo ele, já naquela ocasião ele acreditava que as coisas iam melhorar, por isso não se envolveu no movimento de resistência dos moradores. ''Nem me envolvi nisso'', reforça.
Para o pedreiro Donizete Duarte, 30 anos e 10 de bairro, a presença constante de policiais muitos moram no bairro que também é próximo do 5º Batalhão de Polícia Militar torna o ambiente seguro. ''Tem uns cinco ou seis policiais nessa rua, então qualquer coisa que a gente vê já avisa eles'', conta.
Os altos muros da PEL também agradam os moradores mais novos. Ademir da Silva, 37 anos, por exemplo, trocou o aluguel por uma casa própria na frente da penitenciária há seis meses. Segundo ele, não houve receio em se mudar para tão perto do complexo. ''Pelo contrário, me dá uma sensação de segurança isso aqui'', afirma.
O comerciante José Martins Franco de Oliveira, 57 anos, fez da vizinhança policial quase que uma regra para seus negócios. Instalado atrás da PEL há cinco anos, anteriormente ele tinha um comércio próximo ao 2º Distrito Policial. ''O negócio é ficar perto da segurança'', ensina. Ele frisa, contudo, seu atual endereço é mais sossegado. ''Isso aqui é uma beleza, dá para sair e deixar a porta aberta que ningiém mexe'', conta.

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