Moradores dizem que não trocam de endereço
Quem caminha pelas ruas da nova vila ainda vê muros pichados, papéis e garrafas plásticas amontoadas, algumas casas improvisadas construídas com sucata. Mas a paisagem, definitivamente, é outra: pequenos mercados dividem espaços com lojas de R$ 1,99, bares, açougues e panificadoras. Algumas casas cresceram um andar e os pequenos sobrados passaram a ser comuns na região. O principal ponto turístico da Vila Pinto também deixou de existir: o Beco do Paletó Sujo, como era conhecida a fileira de casa às margens do Rio Belém, hoje é apenas uma faixa de capim e grama.
A nova imagem da vila cativou até mesmo os moradores mais jovens, que costumam sonhar em mudar de bairro e de vizinhança. Daqui eu não saio de jeito nenhum, nem mesmo que os meus pais me obriguem, diz a estudante Alessandra Bispo Pereira, de 16 anos. Agora temos ruas asfaltadas e proteção da polícia, coisas que poucos bairros possuem, diz a estudante. Muitos moradores também resistem em deixar a Vila das Torres pela proximidade com o centro da cidade. Eu levo menos de dez minutos para chegar até o centro e não preciso perder horas esperando o ônibus, diz a adolescente Elisandra Ferreira.
Para os comerciantes, a mudança no perfil dos moradores tem servido para impulsionar novos negócios. O dono de um dos mercadinhos do bairro, Jorge Jesus Sanches, começou há dez anos vendendo carne na porta de casa. Agora, já ampliou a loja, trouxe novos artigos e tem projetos de aumentar ainda mais seu comércio. As pessoas que moram aqui estão comprando mais, diz Sanches.





