Moradores dizem que bairro é seguro
''Daqui só saio para ir direto ao Jardim da Saudade'', brincou o catador de papel Alfredo Vieira, 63 anos, morador da Vila Marízia há exatos 40 anos, referindo-se ao cemitério da zona norte de Londrina. Para o pioneiro, mesmo com tantas dificuldades, o bairro é um local tranquilo e seguro para os moradores.
Vieira concordou que a violência tem aumentado ultimamente na vila, mas destacou que a conivência da polícia e a ''entrada de pessoas estranhas'' acabam criando conflitos. ''Estão morrendo somente jovens que mexem com drogas. Não acontece nada com os moradores do bairro'', afirmou o catador de papel.
A dona de casa Maria dos Santos Paiva, 77 anos e moradora do bairro há 35, concorda com Vieira. ''Aqui deixamos a roupa no varal, a casa aberta e não temos problemas com roubo. Tem muita família honesta aqui'', disse Maria, moradora da Rua Brasílio Machado, na qual ocorreram quatro dos seis assassinatos ocorridos na vila neste ano.
Para o cabeleireiro Genário Albino da Silva, 62, é preciso destacar a ''luta diária'' mantida pelos moradores pobres. ''Eu construí minha casa pelo sistema de mutirão, mas olha só esta rua... Fomos esquecidos pelas autoridades da cidade'', lamentou Silva, enquanto mostrava a falta de pavimentação asfálticas na última quadra da rua. ''Basta este pessoal ter sua casa que metade dos problemas se revolve, inclusive o da violência.''
O aposentado Orlando André, 74 anos e morador do bairro desde 1978 na última casa da Brasílio Machado, próxima à invasão afirmou que nunca teve problemas na vizinhança e destacou que está faltando ''carinho'' para as crianças pobres. ''E isso os pais não podem dar. Ninguém pode dar o que nunca teve'', filosofou.





