Moradores dizem não à usina de lixo
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A proposta de implantação de uma usina de processamento de lixo na Caximba, bairro da região sul de Curitiba, foi alvo de críticas de uma comissão de moradores que participou de uma audiência pública ontem, na Câmara Municipal. O grupo foi recebido pela Comissão de Segurança Pública e Defesa do Cidadão. "Esse é um problema que não é só da Caximba, mas de toda a cidade", afirmou o padre José Antônio da Cunha.
Uma área no bairro é um dos três possíveis destinos para o projeto da usina de processamento. "Já estamos há 20 anos sujeitos a essa situação. Agora é hora de outra área colaborar", defendeu a dona de casa Edilene da Silva. Ela mora no bairro desde que nasceu, numa área recentemente declarada de utilidade pública pela Prefeitura de Curitiba para uma eventual implantação da usina.
"Estamos preocupados com essa situação. Nosso terreno está na família há três gerações. É injusto que façam a gente sair", defendeu. Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, a declaração de utilidade pública tem o objetivo apenas de permitir estudos na área.
Durante a audiência, o promotor Saint Clair Honorato dos Santos, do Ministério Público (MP) estadual, declarou que há irregularidades na gestão do atual aterro. "Não há uma política efetiva de redução de resíduos. A prefeitura não está acompanhando os programas de gestão do lixo dos grandes geradores", afirmou. "Gostaria que a Câmara cobrasse da prefeitura quais foram as providências tomadas em relação a esses grandes geradores", sugeriu.
"Durante dois anos nós promovemos audiências públicas para discutir a redução dos resíduos, nada foi feito", criticou o promotor. Para ele, o único caminho viável é o da redução. "Nesses dois anos, a quantidade de lixo encaminhado para a Caximba diminuiu apenas 100 toneladas, é muito pouco", disse.
"Durante 20 anos, a Caximba ouviu que o aterro era temporário. Nesse tempo todo não se fez nada e agora querem que o povo do bairro sofra com o lixo novamente", reforçou padre José.
Em entrevista à reportagem, o secretário afirmou que há um equívoco na análise do projeto da usina. "É uma indústria como qualquer outra. Não traz os mesmos impactos que um aterro. Em Kobe há uma usina dessas do lado de um shopping", disse.
Ainda ontem, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) decidiu suspender a audiência pública que seria realizada na Caximba. "A audiência é uma das etapas do processo de licenciamento ambiental. Devido à suspensão solicitadas pelo MP, o processo deverá se estender por mais tempo que o previsto", informou em nota. (Colaborou Marcela Rocha Mendes)


