Moradores desistem de ação contra PF
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sexta-feira, 16 de outubro de 1998
Áureo Nogueira 
Moradores do Jardim Colina Verde (zona oeste) desistiram de ingressar na Justiça para impedir a transferência da Delegacia da Polícia Federal em Londrina para a Rua Açucena, naquele bairro. Entretanto, vão observar as consequências da instalação da delegacia. De acordo com o presidente da Associação dos Moradores, médico Antônio Nechar Júnior, se houver mudanças na rotina que atrapalhe o sossego, os moradores voltam a se mobilizar em busca de uma alternativa.
Assim que foi noticiada a transferência da Polícia Federal para o bairro, os moradores iniciaram mobilização contra a instalação da delegacia. A Associação protocolou um requerimento na Prefeitura, pedindo informações sobre a classificação dada ao bairro pela Lei de Zoneamento. Se a classificação for ZR1 (Zona Residencial 1), ou seja, exclusivamente para residências, os moradores poderiam tentar impedir judicialmente a instalação da delegacia no bairro.
A prefeitura ainda não respondeu o requerimento, mas depois de várias conversas com o superintendente da PF, delegado José Roberto Morel, os moradores decidiram desistir da ação judicial e aguardar a instalação da delegacia e observar as mudanças a serem provocadas.
Além do medo natural de morar nas proximidades de uma delegacia, os moradores receiam que a instalação da PF possa representar o fim do sossego, pois a tendência é aumentar o volume de carros e pessoas circulando no bairro, detalha Antônio Nechar.
O delegado Morel reconhece que a ação judicial é um direito dos moradores, mas assegura que o funcionamento da Polícia Federal não vai trazer qualquer problema de segurança ao bairro. O superintendente da PF destaca que a nova sede vai ser usada apenas para os trabalhos administrativos e de inteligência.
A nova sede da Polícia Federal vai funcionar numa casa de aproximadamente mil metros quadrados de área construída. A mansão pertenceu a Gilberto Yanes, tido como morto em acidente aéreo em 85. Ele foi acusado de pertencer ao cartel colombiano de tráfico de drogas. A casa foi alugada do atual proprietário, o advogado Miguel João Cocicov, por R$ 2,5 mil mensais.


