As casas que viraram depósito de entulho e que levaram a Prefeitura de Londrina a recorrer à Justiça para que os agentes de saúde pudessem entrar e limpar os quintais, continuam do mesmo jeito. A reportagem da Folha esteve em duas das três casas visitadas em abril deste ano pela Vigilância Sanitária. Passados seis meses, o quintal de uma das casas, no Conjunto Ernani Moura Lima, na Zona Leste, está novamente cheio de entulho. ''Isso aí não é lixo, é reciclável. A gente procura manter limpo'', argumentou, com raiva, a dona da casa. Há garrafas e papelões misturados com panos velhos e muita sujeira.
A moradora disse que sobrevive da venda do lixo reciclável, mas não soube precisar de quanto em quanto tempo faz a comercialização. Da última vez, a venda rendeu R$ 100, dinheiro que, segundo ela, foi usado para pagar dívidas. Ela contou ainda que os agentes foram outras vezes na casa dela e jogaram veneno no quintal. Porém, não fizeram mais a limpeza.
A situação não agrada os vizinhos que precisam conviver com o mau-cheiro e as moscas. João Ferreira Lima, 66 anos, confirmou que os agentes da dengue passam por ali mas nem sempre conseguem entrar na casa. ''Ali é osso duro de roer'', declarou. Maria Isaura Gonçalves Depiere, 66 anos, sofre ainda mais porque mora ao lado da casa. Pelo muro da residência de dona Isaura dá para ver uma pilha de lixo que atinge cerca de dois metros de altura. Nos fundos do quintal, uma lona preta acumula água da chuva.
Dona Isaura conta que a vizinha costuma mexer nos lixos dos vizinhos e que leva grande parte para dentro de casa. Ela também reclama da dezena de cachorros que dividem o espaço com os entulhos no quintal. ''Quando o sol esquenta, o cheiro fica insuportável''.
Em outra das casas vistoriadas pela Vigilância, no Jardim Jatobá (Zona Sul), a reportagem da Folha encontrou vários potes de plástico jogados no terreno. O morador da casa não quis dar entrevista e expulsou a reportagem aos berros. ''Só minha mãe é que fala e nós vamos resolver isso na justiça'', esbravejou.
O vizinho Sebastião Marcelino de Oliveira, 86 anos, resumiu o problema. ''A coisa ali tá feia. Dá barata, rato, e nós já matamos três cobras''. Maria Aparecida de Souza, 48 anos, que também mora na rua, contou que os agentes da dengue não conseguem entrar na casa. ''Ali é complicado. Eles gritam com todo mundo''.
O gerente da Vigilância Sanitária, Marcelo Viana de Castro, informou que, se for necessário, vai repetir as visitas usando mandado judicial para que a limpeza nas casas seja realizada. Ele esclareceu que os próprios agentes fazem esse controle mas que os vizinhos também podem solicitar ajuda. Sobre o caso do Ernani Moura Lima, Viana observou que a equipe orientou a dona da casa a guardar o material reciclável da maneira correta, com cobertura, mas ela diz que não tem como fazer isso por falta de dinheiro. Ele garantiu que vai consultar o supervisor daquela região para saber se os agentes estão conseguindo entrar na casa.

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