Apesar de terem conquistado o direito de posse das casas há 16 anos, os moradores do Nossa Senhora da Paz (bairro ao lado do Jardim Leonor) criticam a ''pressão'' da Fiação Bratac, que estaria ampliando sua área irregularmente e ''entrincheirando'' as famílias em casas construídas rente à rua. A diretoria da Fiação Bratac diz o contrário: foi a população que invadiu áreas destinadas à empresa.
A Folha visitou o local e registrou casebres sem qualquer aparato técnico, apresentando rachaduras nas paredes e fossas construídas irregularmente. ''Moro aqui há 15 anos e já furei mais de dez fossas na minha casa. Tenho duas somente embaixo do banheiro'', disse o aposentado José Paulo da Silva, 65 anos, que improvisou uma tubulação para escoar parte do esgoto para o terreno da empresa. ''Eles prometeram fazer uma canaleta e não fizeram. Se alguém autorizar, nós vamos fazer com as próprias mãos'', comentou. Na casa da Neusa Caldera, vizinha de Silva, o ''suspiro'' (respiradouro) da fossa fica no meio da cozinha, evidenciando outro improviso.
Outra moradora, Natalina Santos Ribeiro, 50, afirmou que parte da área destinada aos fundos da casa havia sido ''grilada'' pela empresa. ''A gente tinha três metros de quintal, mas a indústria avançou o muro, nos deixando espremidos perto da rua'', criticou.
O supervisor de patrimônio da Bratac, Rilton Yoshida, negou que a empresa tivesse avançado irregularmente parte do terreno. ''Contratamos um topógrafo e pedimos ajuda à prefeitura e à UEL (Universidade Estadual de Londrina) para avaliar o local, onde foi comprovado que eles haviam invadido a área do muro. Quanto à canaleta, foi proposto uma tubulação fechada para escoar o esgoto em direção ao bueiro, mas a Sanepar deve executar a obra'', explicou, destacando que o aterro ameaçava a nascente do Ribeirão Quati.
A presidente da associação dos moradores, Maria Inês Ribeiro, questionou a afirmação. ''Eles é que encanaram todas as nascentes para usar água limpa na indústria. O Rio Quati já nasce com a água alterada'', disse.

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