Moradores denunciam contrato
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de maio de 1999
Daniela Neves 
Especial para Folha
Um contrato para fiscalização de obras da Prefeitura de Araucária está sendo contestado por moradores da cidade. Eles afirmam que há irregularidade e pedem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal. Um grupo de moradores desconfiou do valor pedido para a fiscalização técnica de 13 obras, publicado em edital (nº 005/99) assinado por José de Lima Palermo, presidente da Comissão de Licitação do município. O acompanhamento de pavimentação de vias, trincheiras e iluminação pública foi orçado em R$ 517 mil.O problema é que oito de 13 obras estão quase prontas, sendo que uma já está concluída. Por que um valor tão alto e para quê só fiscalizar no final?, pergunta Estanislau Wojcik Filho, que lidera as denúncias.
Segundo o morador, uma das obras, na rua Tibagi, já está finalizada e em outras vias a base para a pavimentação da rua está pronta, só faltando a cobertura asfáltica. No documento enviado para a Câmara Municipal, os moradores pedem uma avaliação da necessidade de fiscalização nas obras das ruas Avestruz, Uirapuru, Martin Deda, Avenida dos Pinheirais e das Nações, além de trincheira e construção de uma via marginal na BR-476.
No dia 18 de março, data final para entrega de propostas das empresas na prefeitura, os moradores protocolaram um pedido para suspender a abertura da tomada de preços, mas a licitação correu normalmente. A empresa vencedora, única a entrar na concorrência, foi a E.S.Consultoria e Planejamento Ltda, que assinou o contrato no final de abril.
O vice-prefeito, Hino Dinlei de Souza (PMDB), também recebeu as denúncias. Ele foi eleito com o prefeito Rizio Wachowicz (PFL), em uma chapa de coligação e hoje enfrentam divergências políticas. O vice-prefeito afirma que enviou um ofício ao prefeito, pedindo que a licitação fosse revista, mas não obteve resposta. O prefeito Rizio Wachowicz, afirma que as denúncias são intrigas dos partidos de oposição que querem tulmutuar a administração municipal.As obras estão regulares e são fiscalizadas pelo Banco Mundial e pela própria população, responde. Ele disse que não teve acesso às denúncias e que não sabe detalhes sobre o processo de licitação.
O pedido de abertura de inquérito na Câmara ainda não foi analisado. Quatro dos 14 vereadores apoiam a abertura da CPI. Segundo o vereador Roberto Davi da Mota (PSDB), falta pressão popular para instauração do inquérito. O caso também foi levado à Promotoria de Justiça de Araucária, com um pedido de auditoria no processo das obras.


