É duro ter que pagar taxa de iluminação pública quando se mora numa viela escura. Quem sabe disso é Joana D’Arc Simões Costa, moradora de uma travessa entre as ruas Netuno e Vênus, no Jardim do Sol, área central. Há mais de dez anos ela paga a taxa, que vem incluída todos os meses na conta de luz, e a ruazinha continua imersa na escuridão noturna. A vizinhança também paga a taxa - e reclama do breu. O problema, segundo os moradores, torna-se mais revoltante pela insegurança do lugar. Arrombamentos, uso de drogas nas calçadas, roubos e furtos têm sido uma constante para a pequena comunidade local.
Na viela, moram sete famílias. Há também um açougue e a creche Haydee Colli Monteiro. Todo mundo já foi vítima de roubos (ou tentativas). Os cachorrões dentro das casas não desmentem - estão lá para tentar afugentar os amigos do alheio. Nem sempre conseguem, porque o movimento dos ladrões no local, garantem os moradores, é intenso. Edson Pereira conta: ‘‘Eu e meu irmão precisamos até montar guarda outro dia aqui na entrada da viela, porque tinha um pessoal suspeito, ameaçando entrar nas casas’’. Joana D’Arc acrescenta: ‘‘Uma vez, arrancaram a corrente da minha irmã dentro de casa e levaram até cobertas. Outro dia, cheguei em casa e as coisas estavam todas espalhadas pelos ladrões. Eles iriam levar tudo.’’ Usuários de crack preferem o lugar para fumar a droga. A creche da viela tem muros e cachorro bravo, além da vizinhança de um policial. Não adianta: já levaram vídeo, televisão e muitos outros bens da instituição. E a viela é usada como segura rota de fuga para assaltantes. ‘‘Minha casa parece uma prisão com tanta fechadura e cadeado’’, diz Joana D’Arc.
Para diminuir um pouco a escuridão, cada noite um vizinho dorme com as luzes acesas. Ficar de prontidão e fazer esse revezamento são atividades que deixam Edmilson Pereira, irmão de Edson, bastante chateado. Principalmente quando ele vê o valor da taxa de iluminação na conta de luz: R$ 7,50.
Joana D’Arc protocolou na Copel o pedido para instalação de três postes com luminárias em 12 de junho do ano passado. Nesses casos, a Copel entra em contato com a Secretaria Municipal de Obras, que libera ou não o serviço. A Copel executa a obra, e a prefeitura paga. No entanto, desde junho do ano passado, nada mudou para os moradores da viela do Jardim do Sol.
A moradora ligou para a Secretaria de Obras há alguns dias, cobrando a instalação dos postes de luz. Joana D’Arc diz que foi mal atendida. ‘‘Uma funcionário disse que o pedido foi engavetado e desligou o telefone na minha cara’’, garante. Ela então telefonou para o secretário de Obras, José Righi de Oliveira. Reclama que ele não levou a sério seu pedido. ‘‘O secretário disse que não tinha nenhuma solicitação de postes por lᒒ, afirma Joana D’Arc.
O secretário Righi diz que deve ter ocorrido algum ‘‘problema de comunicação’’ entre a Copel e a Secretaria de Obras, prejudicando o atendimento do pedido. Ele informa que o pedido de instalação de postes com iluminação na viela do Jardim do Sol foi aprovado pela Secretaria. ‘‘O custo seria de mais ou menos R$ 1,1 mil, e a Copel demora em média 45 dias para executar o serviço.’’ Mas, como ocorreu a falha na comunicação, a moradora teria agora que ir até a Prefeitura para fornecer o número do protocolo do pedido. ‘‘Eu já disse isso à dona Joana, e não sei porque ela ainda não veio aqui.’’
Quanto às críticas de Joana D’Arc ao atendimento da Secretaria, Righi comenta: ‘‘Se algum funcionário disse que o pedido foi engavetado, cometeu um erro. Mas precisamos ter o nome do funcionário para tomar providências.’’ Segundo o secretário, nenhum pedido é arquivado sem haver uma resposta ao solicitante. ‘‘Ou aceitamos ou negamos.’’ Ele nega ter desconsiderado a reclamação dos moradores da viela.
Righi informa que a taxa de iluminação pública da Copel se refere a toda sistema da cidade, e não apenas aos postes da vizinhança do consumidor. ‘‘Afinal, as pessoas frequentam vários lugares da cidade’’, esclarece. Mas a justificativa do secretário parece não dar certo na viela sem nome entre as ruas Netuno e Vênus. Lá, os perigos do escuro - e o medo dos ladrões - continuam fazendo o pessoal ficar bravo na hora de pagar a conta de luz.

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