Os moradores do distrito de São Martinho, localizado em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), aguardam a sanção do governador Ratinho Júnior para a concretização do processo de municipalização de dois trechos da rodovia PR-170. O projeto foi aprovado na Assembleia Legislativa na semana passada e agora segue para sanção, ou veto do Poder Executivo, o que deve acontecer até o fim deste ano. A aprovação era aguardada com muito interesse da população, já que se a rodovia permanecesse sob posse do Estado todas as edificações construídas em uma faixa de 30 metros da rodovia estariam irregulares e teriam que ser demolidas.

Rodovia "corta" o distrito, que existe desde a década de 1930
Rodovia "corta" o distrito, que existe desde a década de 1930 | Foto: Ricardo Chicarelli - 28/-5-2019

O primeiro trecho possui 11,08 km de extensão e vai do entroncamento da PR-340 para Jaguapitã a São Martinho; e o segundo trecho (de 14,12 km de extensão) vai de São Martinho ao entroncamento da PR-323, em Rolândia, totalizando 25,2 km que ficarão sob a tutela do município.

O prefeito de Rolândia, Luiz Francisconi Neto (PSDB), afirma que na prática o município já é responsável pela manutenção do trecho urbano da rodovia, pois realiza o trabalho de capina e roçagem nas margens, pintura da sinalização horizontal e cuida também das guias dos canteiros que cruzam o distrito. “Se tiver aumento de despesas será muito pouco. Muito do que é necessário a gente já vem fazendo”, destaca.

“O grande problema é o medo que os comerciantes ficam em relação à possibilidade de demolição dos imóveis, como já aconteceu no ano passado, quando o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) encaminhou comunicado alertando que esses imóveis seriam demolidos", relata o prefeito. "Com a municipalização a expectativa é de que esse medo acabe. Cada um seguirá com sua vida, irá cuidar de seu comércio. Agora que foi resolvido o problema é um grande alívio para todos e para a gente também”, acrescenta.

ALÍVIO

A comerciante Silvia Sanches diz que a aprovação pela Assembleia traz um alívio, mas é preciso esperar a sanção do governador para se transformar em lei. “Quando isso ocorrer ficaremos mais protegidos. A gente entende que comprou e pagou por esses terrenos. Com a municipalização ficarei um pouco mais segura, contente e mais tranquila de não correr o risco de ter a casa demolida”, observa. O projeto precisa ser sancionado ainda este ano, pois em 2020 será ano eleitoral e não será possível fazer o procedimento.

Isabel Fracarolli possui uma residência e um estabelecimento comercial na via, que existem antes mesmo da rodovia. “O meu pai chegou aqui em 1960. Era uma estrada de terra, sem asfalto. Nesse tempo todo a prefeitura de Rolândia cobrou o IPTU da gente. Como eles iriam cobrar o IPTU da gente com o terreno irregular? Essa estrada existe há 80 anos e foi o DER que invadiu as nossas propriedades e não o contrário."

O açougueiro Arimilson Junior Pereira da Silva destaca que a municipalização vai representar uma segurança para o comércio. O morador Sandro Leonardi aponta que se for confirmada a municipalização facilitará muito para o distrito. “Os moradores que estavam envolvidos com a questão do embargo do terreno ficaram contentes”, destaca.

A via existe antes mesmo de o DER assumir a rodovia, ainda na década de 1930. Ela foi aberta quando os amigos e pioneiros Martini, Zago, Deganutti e Mariani implantaram o núcleo que viria a se tornar o distrito de São Martinho. É por esse motivo que o trecho urbano da rodovia, que cruza o distrito, recebeu o nome de avenida Marzadema, nome formado com as primeiras sílabas dos doadores de terras para se formar a via. Além da rodovia, a doação de terras foi realizada para formar a área urbana do distrito.

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