A ação de socorro aos moradores do mocó do Ginásio de Esportes Moringão, em Londrina, pode pôr em risco programa de atendimento a adolescentes usuários de drogas. É que a coordenação do projeto Espaço Vida, mantido pela Secretaria Municipal de Saúde, concedeu ''férias'' aos 40 adolescentes acompanhados pelo programa. A paralisação no atendimento, conforme apurou a Folha, ocorreu porque o local que abriga o projeto, no Conjunto Eucaliptos (Zona Leste), está sendo ocupado desde o início do mês pelos 16 moradores do mocó que foi fechado pela Fundação de Esportes.
Desde o dia 5 de novembro do ano passado, os moradores do mocó, com idades entre 19 e 29 anos, estavam sendo acompanhados pela secretaria através de um projeto-piloto que pretende reabilitar jovens e adultos que vivem nas ruas. Todos os dias, depois da saída dos adolescentes, o veículo do Espaço Vida levava o pessoal do Moringão para tomar banho e jantar na casa. Alguns deles optavam por pernoitar no Espaço e eram levados para o Moringão no outro dia após o café, antes da chegada dos adolescentes. Os demais, eram devolvidos logo após a refeição.
Em dezembro, a Fundação de Esportes fechou definitivamente as portas do Moringão para os moradores de rua, com uma cerca em volta de todo o ginásio. A coordenação do projeto, que estava à procura de um local para a instalação definitiva do serviço, pediu urgência à prefeitura no processo de locação de um imóvel. Porém, a demora no aluguel do imóvel, que ainda não ocorreu, levou a coordenadora do Espaço Vida, Cristina Schurmann, a transferir essas pessoas em caráter provisório para a sede.
Funcionários do Espaço Vida disseram que apesar da semelhança no objetivo dos programas, a convivência de adultos e adolescentes começou a apresentar conflitos. Com os adolescentes, a casa não permitia o uso de drogas. Já com os adultos, esse controle ainda está em fase de implantação. Assim, por medo de que os menores fossem envolvidos novamente com as drogas, ou mesmo que fossem utilizados como ''aviõezinhos'' no tráfico, optou-se pela dispensa temporária deles. O critério de decisão utilizado foi o de que os menores estariam melhor amparados pois os que não moram com suas famílias vivem em casas abrigo.
A equipe de trabalho teme que esses adolescentes se sintam rejeitados e se recusem a voltar para as atividades. Diferente da opinião dos funcionários, a coordenadora, porém, não acredita que as férias possam trazer prejuízos no atendimento aos menores. ''Eles estão conosco há mais tempo e são mais fáceis de serem resgatados'', justificou. Para ela, o período de férias escolares já promove, naturalmente, uma evasão desses adolescentes que querem aproveitar a época com diversões. Cristina prevê ainda que a suspensão no atendimento seja curto. ''Em 10 dias devemos estar com os dois programas funcionando em espaços próprios'' afirmou.

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