Moradores de rua já têm onde dormir
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Lúcio Horta 
Warren NabucoSossegoNo barracão, população de rua tem banho, comida, lugar para dormir e, ao acordar, café da manhãA Secretaria de Ação Social reservou um barracão na zona leste de Londrina para abrigar, durante o período de inverno, a população carente que dorme nas ruas da Cidade. Chamado de Operação Noite Fria, o barracão foi aberto no último dia 2 e vai funcionar até 31 de agosto. Essa foi uma reivindicação da própria população de rua, explica a secretária de Ação Social, Marisa Goetel.
Segundo ela, uma equipe de educadores sociais está percorrendo a Cidade e convidando essas pessoas a se encaminharem até o barracão, onde vão ter banho quente, sopa e diversas atividades como palestras e jogos recreativos. Ao amanhecer, tem café da manhã, com pão e leite.
O barracão, cedido provisoriamente por um empresário, fica na vila Casoni, na esquina das ruas Caraíba e Araicá. Segundo Marisa Goetel, várias secretarias da Prefeitura, além de entidades civis, estão participando do projeto. A Ametur (Autarquia Municipal do Esporte e Turismo), por exemplo, colocou à disposição 80 colchões. Já o Provopar (Programa do Voluntariado do Paraná) arrumou cobertores e a Cohab, lonas para forrar o chão.
Marisa Goetel informou que a Sercomtel colocou dois telefones celulares à disposição da secretaria para atender no barracão: 995.1088 e 991.2189. A população pode acessar esses números para fazer doações e informar sobre pessoas que estão na rua e ainda não sabem do barracão. A gente vai encontrar uma alternativa para buscar essa pessoa, afirma a secretária. O 5º Batalhão de Polícia Militar também disponibilizou o número 190 para receber informações sobre a população de rua.
Ficar na rua estava muito mal, a gente tem que ficar só viajando, não tem como dormir, contou Eduardo Lucas, 25, que ontem à noite chegava ao barracão pela primeira vez. Segundo ele, o projeto é muito importante e deveria ser observado por outras cidades. Isso quebra o galho não só meu como também da maioria das pessoas que eu conheço.
Outro que estava satisfeito era o desempregado Paulo Siano, 41 anos. Enquanto esperava o sopão, ele contou que pretende dormir no local até o dia em que encontrar a família desaparecida. Estou procurando minha mulher e meus filhos. E graças a Deus aqui está tudo muito bom.
A sopa é muito boa, confirmou Dirceu José da Silva, 52 anos. Ontem, no começo da noite, ele se preparava para dormir pela segunda vez no local. Vindo de Sertanópolis para tratamento médico, no Hospital Universitário, ele pretende ficar no barracão enquanto durar o tratamento. Ficar na rua é atraso de vida.


