Eles têm colchões, cobertores, um varal de roupas e agora improvisaram um novo banheiro. Os tradicionais ''moradores'' das escadarias e anfiteatro do Zerão, principal área de lazer de Londrina, decidiram ampliar as ''dependências da casa'' e estão agora vivendo sob a cobertura externa do Ginásio de Esportes Moringão, na área central da cidade.
A movimentação do novo ''mocó'', onde cerca de 20 pessoas intimidam pedestres e consomem drogas em plena luz do dia, está assustando os verdadeiros moradores do Jardim Bela Vista (região central). ''Tivemos o telhado e os vidros da janela quebrados por este pessoal. Quando não pedem comida nas portas, eles pulam os muros e roubam coisas da vizinhança'', disse Antonio Laeste Gomes de Oliveira, 50 anos, morador do bairro há 25 anos.
A Folha flagrou integrantes da maloca cheirando cola enquanto se aqueciam ao sol sobre a laje de uma das laterais da cobertura. Funcionários públicos que trabalham no ginásio criticaram o mau cheiro e as fezes deixadas nos portões de entrada. A reportagem tentou conversar com o grupo, mas eles se recusaram e até fizeram ameaças à equipe.
Para o comerciante Cícero Fogaça Filho, 31, que mantém a estrutura da empresa na casa onde mora, a existência de um mocó no Moringão assusta e força gastos inesperados com segurança. ''Eles já invadiram o quintal várias vezes. Gasto R$ 160,00 para manter luzes acesas à noite e nos finais de semana'', comentou Fogaça Filho, que está pensando em se mudar depois de nove meses ''sendo intimidado''.
A vizinha do comerciante, Conceição Ribeiro, 60, lamentou o roubo de um papagaio que estava com a família há cerca de 20 anos. ''Poderiam ter roubado tudo, menos o nosso pássaro. Sei que foi o pessoal dali porque um guardinha viu os rapazes levando a gaiola de madrugada'', lamentou a dona de casa, destacando que nem os moradores do prédio ao lado escapam dos roubos (os moradores do mocó teriam entrado no apartamento do primeiro andar pela janela e roubado celulares, cheques e documentos).
O Conselho Tutelar e a Secretaria de Ação Social informaram que estão trabalhando em conjunto com a Fundação de Esportes para solucionar o problema (veja texto ao lado). ''Não adianta só trocar o mocó de lugar. Este pessoal precisa sair das ruas e trabalhar ou estudar. Não posso nem levar minha neta para dar um passeio no Zerão'', disse o aposentado Olívio Punhagui, 61, que encaminhou (por escrito) um pedido de providência à administração pública.

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