Moradores de rua: desafio para a sociedade
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domingo, 05 de dezembro de 2004
Adriana Savickiap6><br> Reportagem Local 
Faltam estatísticas oficiais, até por ser muito difícil contabilizar um universo de pessoas que ora está aqui, ora acolá, mas a população de rua de Londrina é um problema crônico. São pessoas que um dia tiveram uma casa e hoje ou não querem ou não têm para onde voltar. Mas têm para onde ir: prédios abandonados, praças, edifícios em construção ou mesmo uma calçada. Conviver e tratar pessoas que vivem no limite entre o vício e o crime é um desafio cada vez maior para a sociedade.
O problema é antigo basta lembrar do grupo que morava no Ginásio de Esportes Moringão mesmo depois que o local foi cercado por grades de ferro mas voltou a reacender a opinião pública após a violência contra um morador da Gleba Palhano (Zona Sul) no início da semana. O morador foi agredido com uma barra de ferro na cabeça após uma discussão com um integrante de um grupo que invadiu um prédio em construção abandonado e estava jogando tijolos do quarto andar.
O caso assustou os moradores das redondezas. ''A gente já tentou colocar cerca lá, os vizinhos mesmo, mas eles arrancam e não tem jeito'', diz um morador, que pede para não ser identificado. Segundo ele, contudo, a vizinhança já tinha até se acostumado com a presença dos andarilhos. ''Eles não incomodavam, só que agora é uma gente diferente que está aí, uma gente estranha'', diz.
Depois da repercussão do caso e de batidas policiais, o local permaneceu vazio nos últimos dias. Não é o caso de um estacionamento desativado em plena Avenida Leste-Oeste (Área Central). Localizado ao lado de uma Igreja Evangélica e de um ponto de ônibus intermunicipal, a movimentação do grupo assusta quem passa.
No local, a reportagem da Folha constatou a presença de duas crianças. Quem tem comércio reclama. ''Eles ficam cheirando cola o dia inteiro e depois saem para pedir'', diz uma comerciante, que pede para não ser identificada porque foi assaltada há menos de uma semana.
Outro comerciante que também pediu sigilo conta que levou uma pedrada de uma das mulheres que frequentam o local após negar-lhe um lanche. ''Ela saiu daqui gritando que ia matar todo mundo'', diz. Quem acabou morta foi ela, alguns dias depois, com dois tiros na cabeça, na Avenida Duque de Caxias.
Assim como o caso da Gleba Palhano, esse ponto está no alvo das autoridades. Conselho Tutelar e Sinal Verde já realizaram mais de uma incursão no local. Por enquanto, as investidas não contabilizam muito sucesso. ''Fazemos abordagens sistemáticas, quase que diariamente, mas esse é um problema cuja solução ainda não existe modelo'', admite a secretária de Ação Social, Maria Luíza Rizzoti.
A secretária acredita que apenas um trabalho conjunto pode resolver a questão: ''Nós precisamos discutir o fortalecimento de algum serviço especializado para pensar o atendimento de forma diferente, já que essas pessoas não são apenas carentes, temos que articular e envolver a Saúde nisso''.


