Usuários do transporte coletivo e escolar de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) foram prejudicados nesta quarta-feira (3). A cidade amanheceu sem o serviço, que atende cerca de 20 mil pessoas, sendo 904 estudantes da rede municipal. A empresa responsável, Vysa Transportes, alegou demora no repasse de R$ 2,2 milhões por parte da prefeitura. O valor foi acumulando ao longo de seis meses. No fim da tarde, depois do executivo repassar cerca de 12% do montante, os ônibus voltaram a circular.

Segundo o proprietário da empresa, Jeferson Marques da Silva, foram pagos somente R$ 264 mil, o que foi suficiente para pagamento dos 40 motoristas e aquisição de suprimentos. A folha mensal é de R$ 200 mil. "Tínhamos ficado sem recurso para nada, nem para comprar o óleo diesel. Mesmo com o débito voltamos, pois vamos continuar cobrando para receber o que falta. Com um pouco de boa vontade eles conseguem quitar. Em outras administrações, quando teve dívidas, o município foi pagando aos poucos", relatou.

Os veículos passaram a maior parte do dia parados no pátio da companhia, localizado na PR-170, na saída para o distrito de São Martinho. Os carros percorrem cinco linhas e seis itinerários por toda a cidade diariamente, incluindo a zona rural. O contrato do transporte coletivo foi assinado em 2015, com duração de um ano, e posteriormente renovado, com o vencimento previsto para o início de 2019. Já o locomoção escolar foi contratada em 2014, também com extensão de 12 meses, prorrogáveis por mais 48. O encerramento será no final de 2018.

Rolândia tem aproximadamente cinco mil alunos matriculados na rede municipal, sendo que 20% dependem do transporte escolar, que é dividido entre município e instituição terceirizada. A Vysa transporta a grande maioria, que sem ônibus à disposição, não compareceu à aula na quarta. A secretaria de Educação prometeu abonar a falta e garantiu que as crianças não serão prejudicadas. Uma prova geral estava prevista para o dia, entretanto foi cancelada pelo problema no transporte.

A interrupção do serviço não foi comunicada à população com antecedência, o que surpreendeu muitos. A babá Neuza Aparecida de Souza lamentou o ocorrido. "Todos os dias pego ônibus pela manhã e fim de tarde para ir ao trabalho. Nesta quarta cheguei atrasada, pois tive que andar bastante para embarcar no ônibus de outra empresa que faz trajeto entre o município e passa pela região onde moro. A passagem é R$ 4,15 e tive que desembolsar a mais", contou. A tarifa do transporte urbano é R$ 3,50. "Meus impostos tenho pagado em dia. Não pode faltar ônibus", reclamou.

As irmãs Rosineide e Claudia da Silva foram informadas pela reportagem sobre a circulação de ônibus parada. "Por isso o ponto de ônibus está vazio. Até estranhamos, pois sempre fica lotado. Tanto que os ônibus circulam sempre cheios. De manhã viemos de carona e não ficamos sabendo", disseram. Preocupadas como iriam voltar para casa, no distrito de São Martinho, conseguiram embarcar em um veículo logo depois do serviço retornar à normalidade. "Ainda bem, pois temos crianças para buscar na escola e horário."

Jeferson da Silva sustentou que a prefeitura havia sido avisada sobre a interrupção do trabalho. "É ela quem poderia agir para contornar esta situação", alegou o empresário, que não descartou novas atitudes do tipo caso os pagamentos não sejam frequentes a partir de agora. "Se chegar neste limite de novo, de não ter condição financeira, teremos que interromper novamente. Não é retaliação, mas necessidade", justificou.

A Prefeitura de Rolândia, por meio de sua assessoria de imprensa, confirmou a falta dos repasses e alegou deficit financeiro. O município não explicou como conseguiu os R$ 264 mil para quitar parte do débito, porém destacou que está estudando formas de "amortizar" o imbróglio. O município não estipulou prazo para isso. (Com Rafael Machado)

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