Quem vive no terreno baldio apontado como ponto de ladrões e traficantes no bairro São Francisco discorda da versão apresentada pelos moradores da região. ‘‘É gente de fora que vem assaltar. Não somos nós, que moramos aqui. Você acha que nós vamos bagunçar a rua da nossa casa?’’, indaga o guardador de carros Rogério Borges, que vive no terreno há um ano.
Na semana passada, as oito pessoas que moram no terreno baldio - entre elas um casal com um menino de oito meses - disseram que policiais militares realizaram um blitz no local. Os policiais, segundo os moradores, derrubaram uma garagem de madeira e o barraco de Rogério Borges.
‘‘Isso ninguém vê. Só ficam falando do lado ruim’’, reclama Rogério, que pede uma indenização para deixar o terreno. ‘‘Assalto acontece direto, mas o pessoal pensa que é a gente’’, ecoa o guardador de carros Adriano Loyola, há dois anos morando no terreno.
Os proprietários do lote, que fica na esquina das ruas Paula Gomes e Duque de Caxias, vão transformá-lo num estacionamento, conforme um jardineiro que estava limpando o terreno na tarde de ontem. A garota de programa Izabel Cristina Gutierrez afirma que os moradores discriminam quem habita o ‘‘mocó’’.
‘‘É pessoal apronta lá fora e eles ficam culpando quem mora aqui dentro’’, observa Izabel, que trabalha para arrecadar dinheiro vendendo cartões de Natal. O dinheiro será usado para pagar uma festa de final de ano para o seu afilhado, o bebê de oito meses que mora num barraco com os pais, no terreno. (D.V.)

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