Moradores de Lerroville doam mais uma casa
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segunda-feira, 21 de maio de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Bondade, generosidade e altruísmo são sentimentos nobres que, na teoria, resultariam em ajudar o próximo sem esperar nada em troca. Porém, não é fácil doar alguma coisa de bom grado e não ter sequer o reconhecimento de quem recebeu. Quem vê de longe, muitas vezes não imagina a dedicação e a paciência necessárias para se fazer o bem.
No sábado, enquanto voluntários trabalhavam na conclusão de uma casa para dona Jaer de Queiroz da Silva, ela já foi transportando as mudanças. Viúva, Jaer não soube precisar há quanto tempo mora com os três filhos em um barraco de madeira improvisado, de apenas um cômodo. Chorando muito ''de nervoso'', ela respondeu ''mais ou menos'' quando questionada se estava feliz ao ganhar a casa de alvenaria, com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda.
Jaer não soube dizer quantos anos têm os filhos, só se lembrou de que o mais novo tem 16 e que estão todos desempregados. ''Para melhorar mesmo, só se eu ganhar um trabalho''. Os Amigos Solidários de Lerroville (Amisol), responsáveis pela construção dessas duas e de uma outra terceira residência no distrito, previam que a construção estaria totalmente terminada até amanhã.
O pedreiro Geraldo Avelar Vilela, 52 anos, passou as últimas semanas trabalhando gratuitamente para a viúva. ''Eu não faço isso visando lucro, não quero aparecer. Apenas me sinto bem, fico em paz'', alegou. Ele precisou de 15 anos para terminar a própria casa. ''A vida está difícil para todo mundo, mas não dá pra ver pessoas em situação pior do que a gente sem fazer nada. Tudo o que a gente dá de boa vontade não faz falta depois'', justificou.
Outros bons exemplos não faltam. ''Um senhor de Curitiba leu a matéria da FOLHA na internet falando do projeto e entrou em contato comigo. Ao todo, ele já contribuiu com mais de dois mil reais para construir as duas últimas casas'', contou o professor Acyr Plath, responsável por angariar recursos para o projeto. Além de doações de moradores locais e de outras cidades, os organizadores também realizam promoções, como bingos, e sempre contam com o apoio da população.
Além de Plath e Vilela, Paulo Massoni, Pedro Alves Batista, Lucas do Prado, Josimar do Prado, Ederval Batista, Edivaldo Pereira da Silva, o seo Jair e os filhos de Jaer, Leandro e Thiago, também puseram a mão na massa e merecem ter seus nomes citados. ''Esse trabalho é importante para mostrar que ainda existem pessoas boas no mundo. A gente faz porque é gratificante. Depois que comecei, minha saúde tanto física quanto mental melhorou muito, porque Deus retribui o que a gente faz'', justificou o professor. Plath reconhece que, se as intenções dos voluntários não fossem realmente sinceras, talvez os resultados não seriam os mesmos. ''Se você for levar em consideração determinadas reações das pessoas, você não faz.''
Agora, os moradores planejam construir mais uma, para Adão do Prado, que tem problemas na coluna e cuida sozinho dos três filhos. E, mais uma vez, esse sonho vai depender do quanto as pessoas estão dispostas a doar, pondo em prática o conceito de amar o próximo incondicionalmente.
Serviço:
Quem tiver interesse em doar materiais de construção pode entrar em contato com Acyr, pelo telefone (43) 3398-2079.


