Depois de dois dias de chuva, boa parte dos moradores do distrito de Irerê (zona Sul) está cercada pela lama. O detalhe é que essas pessoas não moram em chácaras ou fazendas e sim na área urbana do distrito. As duas principais vias de acesso à parte alta do bairro, onde ficam o cemitério e estradas de acesso à fazendas, estão praticamente intransitáveis e poucos motoristas arriscam passagem.
Dos dois acessos à parte alta, o trecho mais curto até o asfalto é o pior. Na rua Ulisses Rodrigues, o problema do barro e a falta de moledo une-se a galerias pluviais entupidas, causando uma enxurrada que invade casas. Ontem a dona de casa Emília Alves da Silva, moradora da parte asfaltada da rua, começou a tarde limpando a sujeira. ''O pior é que essa água vem junto com esgoto das casas de cima'', denuncia.
Segundo os moradores, há anos a prefeitura autorizou a população a fazer ligações de esgoto doméstico na rede. Como o solo do Irerê é pedregoso, até mesmo as casas que têm fossas sépticas são problema. Com a chuva, as fossas rasas transbordam. ''Quando chove é esse barro que você está vendo, e quando tem sol é um mau cheiro insuportável, não sei porque deixaram construir aí para cima'', questiona a dona de casa Márcia Ramos, referindo-se a um conjunto habitacional recém-construído.
Enquanto Márcia conversava com a reportagem, pelo menos seis pessoas enfrentaram o barro da rua. ''Dá até dó ver o povo indo trabalhar todo sujo, se não passar por aqui tem que andar um monte para pegar o ônibus lá no asfalto'', afirma, citando a outra rua de acesso com três quilômetros não asfaltados.
O secretário de Agricultura de Londrina, Nilson Ladeia, reconhece o problema. ''O distrito cresceu em uma região inadequada'', confirma. Ele afirmou que o outro acesso ao cemitério com saída para a rodovia, está em fase de licitação para ser readequado.
A Secretaria de Obras de Londrina também está estudando o problema. Segundo o secretário Aloysio Crescentini de Freitas, o asfaltamento das ruas do distrito deve ser feito até o início do ano que vem. Ele adiantou, contudo, que a rua Ulisses Rodrigues, que seria de propriedade privada, não será incluída. ''Se asfaltarmos ali, o problema da enxurrada vai ser maior ainda, estamos estudando uma outra forma de pavimentação e melhorias'', disse. Quanto aos outros problemas, o secretário afirmou que a construção de fossas eficientes é de responsabilidades dos moradores.

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