Moradores de Guaravera organizam protesto
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quinta-feira, 14 de março de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Nem mesmo a promessa do comando do 5º Batalhão da Polícia Militar de aumentar o policiamento acalmou os ânimos dos moradores do Distrito de Guaravera (zona sul de Londrina). Indignados com a violência, eles prometem realizar hoje de manhã um protesto, inclusive bloqueando o tráfego de veículos na PR-445, próximo à entrada do distrito. Na segunda feira, o empresário Albino do Nascimento Marcos, de 62 anos, foi assassinado em frente de casa, durante uma tentativa de assalto.
"O que nós queremos é o policiamento 24 horas na região, porque não tem como convivermos mais com tanta violência. Todos os dias ficamos sabendo de um comerciante que foi assaltado ou um morador que teve a casa invadida", afirmou a dona de casa Érica Patrícia Walichek, cunhada de um dos filhos do empresário e uma das organizadoras do protesto. Érica e a mãe já foram vítimas de assaltantes no ano passado. Uma dupla armada invadiu a casa e assustou muito a família, segundo ela.
O proprietário de uma padaria localizada próximo ao posto de combustíveis de Marcos, que não quis se identificar, conta que já foi vítima de assaltos três vezes nos últimos dois anos. Assustado, ele revela que todos os dias abre o estabelecimento preparado para o pior. "Sei que sou um comerciante visado e tenho medo. Guaravera mudou muito depois da chegada desses drogados. Ninguém tem mais paz", afirmou o comerciante, que mora no distrito com cerca de 4,8 mil habitantes.
O empresário aposentado Meloti de Oliveira, de 81 anos, diz que já participou de pelos menos três reuniões com o comando do 5º BPM, solicitando a presença mais efetiva na região. Oliveira é vizinho da vítima de latrocínio. Ele conta que o pedido do amigo por mais segurança na região era também algo recorrente. "O Albino tinha medo com o que poderia acontecer, ele chegou a procurar a polícia de Londrina por mais de uma vez", detalhou.
A última vez que o empresário esteve em Londrina solicitando mais segurança foi há 40 dias, segundo o irmão dele, o produtor rural Brigílio Marcos. "A única coisa que ele pedia era mais segurança e o comando sabia disso, mas foi negligente", afirmou. "Agora dizem que a Justiça foi feita, mas será que ela foi completamente concluída? Esses menores foram apreendidos e daqui a alguns dias estão soltos. E a vida do meu irmão? Essa não volta mais. Isso dói muito", desabafou Marcos, que ontem de manhã participou de uma reunião no 5º Batalhão. Dois adolescentes e dois maiores suspeitos de envolvimento no crime foram presos pela PM na noite de segunda-feira.
O clima é de insegurança também em São Luiz, distrito com aproximadamente 2,1 mil habitantes, segundo o administrador de fazenda Joaquim de Souza Silva. Ele mora na localidade há 25 anos e ontem de manhã também participou da reunião no 5º BPM. "Não se vê viaturas circulando, eles só aparecem mesmo depois que acontece alguma ocorrência e os moradores ligam reclamando."
O comandante do 5º BPM, tenente-coronel Samir Elias Geha, reconheceu que não existe um efetivo atuando diariamente nos distritos. Porém, anunciou que, diante da solicitação dos moradores, uma viatura realizará patrulhamento nos distritos de Guaravera e Irerê. Nos demais distritos (Espírito Santo, Irerê, Lerroville, Maravilha, Paiquerê e Warta), o comando pretende intensificar o patrulhamento rural. As operações tiveram início ontem.
A reunião foi uma iniciativa do vereador Péricles Deliberador (PMN), presidente da Comissão de Defesa ao Consumidor e Segurança Pública do Legislativo . Também participaram do encontro os vereadores Jamil Janene (PP), Gaúcho Tamarrado (PDT), Gustavo Richa (PHS), Gerson Araújo (PSDB), Lenir de Assis (PT) e Sandra Graça (PP).


