Após 50 anos de promessas de pavimentação dos oito quilômetros da estrada rural municipal que dá acesso ao Patrimônio de Guairacá (Zona Sul de Londrina), cerca de 150 moradores da localidade decidiram pressionar de vez a Prefeitura, ontem. Pela manhã eles realizaram protestos no próprio distrito e após as 13 horas bloquearam por mais de três horas a PR-445, na altura do trevo de acesso ao Distrito de Irerê. O congestionamento chegou a três quilômetros em cada um dos lados da rodovia. Nos próximos dias, um grupo de agricultores deverá ir até a prefeitura para falar com o prefeito Nedson Micheleti.
  A via de acesso a Guairacá é coberta apenas com pedras, o que já motivou três protestos só nos últimos dez meses. ‘‘Eu nasci aqui e há 42 anos já se espera esse asfalto. Há mais ou menos uns oito asfaltaram até o rio Taquara. E o resto?’’, questionou o produtor Osvaldo Pires Ribeiro. A estrada tem um movimento de mais de duas mil pessoas por dia, que dependem exclusivamente da via para ir a qualquer lugar fora do distrito. Na região são produzidos café, soja, trigo, milho, frutas, verduras e legumes, além de ser acesso a portos de areia. As péssimas condições estariam prejudicando o escoamento da produção, porque as empresas responsáveis pelos fretes ou não aceitam carregar os caminhões ou cobram até 30% mais caro.
  No bloqueio da PR-445, monitorado pela Polícia Militar Rodoviária, os agricultores mostraram um boletim distribuído pela deputada estadual Elza Correia em janeiro de 2005, apontando que os recursos para a pavimentação da estrada rural e de mais duas da região já estavam disponíveis. O assessor da parlamentar, Claudinei Batista Mendes, informou que foi aprovada emenda para colocação de paralelepípedos.
  Entre os moradores, o clima era de desesperança. Produtor de soja e trigo, Marcos Farinésio mora há 15 anos no Guairacá e falou que o Patrimônio sempre foi alvo de promessas eleitoreiras. ‘‘Todos vêm aqui, mas nunca cumprem o que prometem’’, denunciou. O também agricultor Adão da Silva disse que a ‘‘paciência chegou ao limite’’. ‘‘Só a gasolina que estes políticos gastaram para fazer campanha no distrito já daria para pavimentar a estrada’’,
criticou.
  O prefeito Nedson Micheleti (PT) argumentou que este não é o caso da sua administração: ‘‘Seria histórico dizer que eu prometi algo durante a campanha, principalmente em se tratando do (Patrimônio) Guairacᒒ. Ele completou que a responsabilidade de asfaltar a região não seria da prefeitura. Para o secretário municipal da Agricultura, Nilson Ladeia, a colocação de paralelepípedos dependeria de ‘‘parceria com os próprios agricultores’’, porque as pedras teriam que ser conseguidas na região.
  Quem ficou parado na fila de três quilômetros não gostou, mas concordou com as reivindicações. ‘‘Acho justo mas nunca imaginei encontrar isso por aqui’’, falou o motorista Anderson dos Santos, que dirigia uma van com sete pessoas de São Paulo que passaram o final de semana em Ivaiporã. Passageiros dos ônibus de transporte coletivo mudaram de veículo e conseguiram seguir viagem. Os manifestantes só deixavam passar ambulâncias e carros com pessoas com problemas de saúde.(Colaborou Guilherme Borges)

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