Moradores de conjunto estão preocupados com inadimplência
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de dezembro de 1996
Marcos Zanatta<br> Sucursal de Maringá 
A prestação correspondente a 20% do valor do salário mínimo não está impedindo que os mutuários do conjunto Requião, em Maringá, se tornem inadimplentes. O conjunto tem mais de 1.200 unidades construídas pelo projeto Casa da Família. Segundo o chefe do escritório regional da Cohapar, Francisco da Rocha Filho, menos de 20% dos moradores do Requião estão com prestações em atraso. Os próprios moradores, no entanto, calculam que mais da metade dos mutuários do conjunto estão devendo pelo menos três prestações.
O servente de pedreiro Sebastião de Souza, que mora no local há dois anos, está indo para o terceiro mês sem pagar o financiamento. Tive que comprar outras coisas e não estou conseguindo pagar as prestações, mas pretendo acertar tudo até janeiro, explica. Ele acredita que pelo menos 60% dos moradores do Requião estão inadimplentes. A gente ouve todo mundo reclamar que apesar do valor baixo, está difícil pagar em dia, afirma.
A dona de casa Vera Lúcia dos Santos calcula que já deve mais de R$ 500,00 por 11 meses de prestações em atraso. Fiquei doente e parei de trabalhar, e agora dependo do salário de um único filho que tem emprego fixo. Ela diz que tem dinheiro para receber de uma ação trabalhista, o que daria para pagar toda a dívida. Vou receber pelo menos R$ 3 mil e quitar os atrasados. Mas tem muita gente que deve e não tem de onde tirar. Segundo Vera Lúcia apenas na quadra onde mora são mais de 10 famílias que não pagam regularmente nos últimos seis meses.
Para a desempregada Maria Senturion Martins, que deve 14 prestações, a melhor saída é o parcelamento proposto pela Cohapar. Estou sem trabalho há mais de um ano, devendo as contas de água e luz dos últimos dois meses e com apenas um filho trabalhando, lamenta. Ela diz que hoje a prestação está em torno de R$ 21,00, e que se o valor da dívida for dividido por alguns anos não será difícil pagar todo mês. A partir de janeiro volto a trabalhar, e se tudo der certo volto a pagar a casa em dia, afirma.
O chefe do escritório da Cohapar, Francisco da Rocha Filho, disse que todos os mutuários com mais de três prestações em atraso podem se beneficiar da incorporação da dívida. Ele explica que no limite de até 18 meses em atraso, o valor será incorporado às perestações a serem pagas. O que passar dos 18 meses atrasados, é dividido em parcelas.
Nos dois casos serão cobrados juros e correção da dívida. Segundo Rocha, na região de Maringá cerca de 30% dos mais de 14 mil mutuários da Cohapar estão inadimplantes. Todos podem optar pela incorporação.


