A falta de água continua a atormentar a vida dos moradores da cidade de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Com abastecimento precário há seis meses, parte da comunidade de 60 mil pessoas terá de suportar o racionamento imposto pela Sanepar pelo menos até domingo. O motivo, agora, é a necessidade de conserto da adutora (tubulação) do Sistema Karst que abastece alguns bairros do município. ‘‘Os bairros vão ficar abastecidos por 24 horas e, depois, ficarão 24 horas sem água’’, disse Celso Luis Thomáz, gerente de Distribuição da RMC.
As irmãs Luísa Maria da Silva e Liberaci Maria de Oliveira, moradoras do Bairro Guaraituba, dizem que a solução para o problema é usar o poço. ‘‘Atendemos os nossos vizinhos, cerca de 30 pessoas, com a nossa reserva’’, disseram. Porém esse tipo de abastecimento não é motivo de alegria, pois acaba contribuindo para o surgimento de verminoses, doenças de pele e diarréias. ‘‘Estou indo fazer exames porque o médico suspeita que estou com muitos vermes’’, disse Luísa, ao sair do posto de saúde do bairro.
A coordenadora do posto de saúde, a enfermeira Márcia Regina da Silva, diz que muitas pessoas procuram por consultas médicas devido aos problemas causados pelo consumo de água de má qualidade. Márcia Regina informou que todo o trabalho realizado no posto de saúde é feito com o cuidado de evitar qualquer desperdício de água: ‘‘Já aconteceu de não podermos lavar as mãos para atender os pacientes’’, disse.
Os moradores ainda reclamam que quando há água ela vem com sujeira e mal cheiro. Segundo o gerente de Distribuição da Sanepar, isso ocorre quando os canos ficam sem água, o que causa o ressecamento do material existente nos canos. ‘‘Quando a água volta a circular, esses resíduos acabam sendo levados, acarretando a diminuição da qualidade do produto pela presença desse material’’, informou.
Os microempresários do bairro Guaraituba sentem que esse problema já está refletindo em suas atividades profissionais. A cabeleireira Eliane Martins, 19 anos, foi obrigada a construir um poço na calçada em frente ao seu salão para manter o espaço limpo. Mas, quando falta água, ela tem de dispensar a clientela. ‘‘Não posso lavar a cabeça das pessoas com canecas de água de poço’’, reclama.

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