'Moradores' de cemitérios
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Sombra, água fresca, comida e as portas abertas. Não é a toa que muitos animais de rua em Londrina encontraram nos cemitérios municipais um lugar perfeito para chamar de "lar". Entre jazigos e árvores, é possível "esbarrar" com um "morador", que ora está em busca de comida, ora por um lugar para descansar.
Porém, essa permanência tem gerado uma grande preocupação para a Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf) de Londrina. A superintendente Sonia Gimenez comenta que a quantidade de cães e gatos nesses espaços chamou sua atenção no início do ano, quando assumiu o cargo.
"Também recebemos reclamações. No Dia das Mães, por exemplo, as pessoas reclamaram de uma cadela que tinha dado cria e estava bem agressiva, avançando nas pessoas. Mas não é só isso que nos preocupa. É o fato da sujeira, como fezes e urina e das doenças, pois não sabemos se são vacinados ou estão doentes", diz.
Sonia ainda explica que o principal atrativo para esses animais é a oferta de alimentos. "Muitas pessoas têm o ritual de levar comida aos cemitérios, além disso, os próprios prestadores de serviços deixam sobras para os cães e gatos e isso favorece o surgimento da população", comenta.
Para dimensionar a quantidade de cães e gatos que vivem nos cemitérios da cidade, a Acesf realizou um diagnóstico junto aos funcionários. Segundo a superintendente, o cemitério Jardim da Saudade, na zona norte, abriga 10 gatos e 15 cachorros. "Sempre tem uma variação porque muitas cadelas dão cria ou então um ou outro acaba sendo adotado", diz. O cemitério é o maior de todos, com mais de 45 mil túmulos.
No Padre Anchieta (zona leste) foram encontrados 11 cães e um gato. Na zona sul, no Cemitério São Paulo, são 2 cães e 2 gatos. A quantidade de felinos é a mesma do João XXIII, na região central, mas o número de caninos sobe para 5. Já no cemitério São Pedro, nenhum cão foi localizado, mas há 10 gatos.
Acabar com essa situação de animais abandonados é um grande desafio para o município. Porém, Sonia lembra que cada um pode fazer sua parte. "A gente pede para as pessoas não alimentarem os animais para que eles busquem outros locais. Para aquelas, cujo ritual no cemitério envolve a oferta de alimento, a gente pede se possível, que providenciem outro tipo de atividade", completa.
Castração
A necessidade de se discutir políticas públicas para animais abandonados em Londrina levou a prefeitura a instituir uma comissão em maio deste ano. O objetivo é propiciar a discussão e ideias visando a minimização da situação desses animais.
De acordo com Alessandro Caseri, coordenador da Comissão de Políticas Públicas para Animais Abandonados e médico veterinário da Vigilância Ambiental de Londrina, existe uma discussão mais profunda sobre a construção de uma Unidade de Saúde Animal (USA) e o Centro de Controle de Zoonoses.
"O foco é o controle populacional. O projeto está sendo formulado, mas ficará pronto no primeiro semestre de 2014. A proposta é realizar um chamamento público de clínicas e hospitais veterinários para castração, vacinação e chipagem dos animais. Os custos seriam arcados por meio de um convênio com a prefeitura e o limite seria de aproximadamente 200 atendimentos por mês", define.
Ele comenta que a castração irá atender quase que exclusivamente animais que não têm acesso ao veterinário. "Haverá uma triagem, mas há um outro desafio que é buscar soluções para os animais que não têm um cuidador para o pós-cirúrgico", afirma.
Com isso, Cesari aponta a USA como uma possível solução. "Funcionaria como um local de atendimento, em locais de propriedade do município. É claro que isso requer um investimento maior, inclusive para manter a estrutura e contratar ou deslocar profissionais. É por isso que se trata de um planejamento de médio a longo prazo", analisa.
Outras propostas da comissão incluem a revisão do Código de Posturas do Município, Projeto Educacional de Guarda Responsável de Animais de Companhia, aplicação de questionários sobre animais nos bairros e campanhas de adoção. Só neste semestre foram realizadas seis feiras de adoção por entidades da sociedade civil, que resultaram em 250 animais adotados.


