Moradores de Cambé reclamam de animais mortos na 445

População de bairros próximos à rodovia se queixa da alta velocidade dos motoristas e da falta de serviço público no recolhimento de corpos

Laís Taine - Grupo Folha
Laís Taine - Grupo Folha

Cambé - Quem passa com frequência pela rodovia PR-445 no trecho entre Londrina e Cambé já deve ter visto corpos de animais minguando à falta de serviços. Moradores da região reclamam da alta velocidade e falta de prestação de socorro por parte dos motoristas e também da ausência do serviço público no recolhimento dos corpos dos animais, que apodrecem na pista. 


Perímetro urbano da PR-445: atropelamento de animais é problema comum, dizem moradores
Perímetro urbano da PR-445: atropelamento de animais é problema comum, dizem moradores | Gustavo Carneiro - Grupo Folha
 




“É muito frequente isso aqui. É muito bicho solto na rua que acaba tentando atravessar entre um bairro e outro e acaba atropelado. E à noite é pior, o pessoal não obedece ao limite da velocidade”, opina Heglle Fabiane de Souza, que vive no jardim Montecatini, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina).  A maquiadora comenta que não vê serviço de recolhimento desses animais. “O que a gente vê é o corpo do animal se decompondo, entre chuva e sol, até acabar."





O bairro fica nas margens da rodovia que corta a cidade. Do outro lado da pista, mais residências e comércios movimentam a circulação de pessoas. Moradores que caminham com seus animais na coleira reclamam também do abandono, afirmando que a maioria dos cães atropelados na pista não tem quem responda por eles. Outro aspecto apontado por eles é de que a mureta que divide a pista impede que os animais tenham chance de fugir. 


RESPONSABILIDADE 

Gustavo Góes, presidente da ONG Mae (Meio Ambiente Equilibrado) comenta que a questão dos animais domésticos atropelados em vias urbanas passa pela gestão dos animais de rua, como castração, adoção, etc. Porém, é possível adotar medidas que possam minimizar os acidentes. “Mesmo nas áreas urbanas, caso a caso, alguns cuidados podem ser empenhados para o fluxo desses animais sem que usem as vias, como a construção de pontes com vão para passagem seca ou mesmo a construção específica de passagens secas e, em complemento, o cercamento para direcionar os animais para tais locais”, aponta. O ambientalista acrescenta que apesar de menor incidência, animais silvestres, como capivaras e pacas, também são atropelados em vias urbanas. 


PREFEITURA

A Prefeitura Municipal de Cambé sinalizou que, por se tratar de rodovia estadual, a responsabilidade é do Estado, por meio do DER (Departamento de Estradas e Rodagens). O órgão respondeu dizendo que “no caso de rodovias sob jurisdição do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), a população pode comunicar as regionais do departamento para recolher os corpos de animais mortos que se encontram sobre a pista de rolamento”. 


DER

Wagner Fausto Mazur, gerente de operações da Regional do DER de Londrina, explica que os corpos podem ser retirados via administração direta, quando um servidor da própria unidade realiza o serviço, ou pela empresa contratada para conservação das faixas de domínio. “Como a empresa tem uma faixa de extensão grande, 248,7 km, a limpeza é feita semanalmente, mas tem que correr toda a extensão limpando”, afirma. A responsabilidade da unidade vai até o encontro da pista com a BR-369. “A partir dali não é mais responsabilidade nossa e sim da concessionária", afirma. 


Quando se trata de animais de grande porte, como cavalos, o gerente diz que conta com o apoio da prefeitura. A questão é que na faixa de domínio são encontrados mais que carcaças de animais. “Temos um problema grande, as pessoas descartam sofá, pneu, garrafa pet, lixo orgânico, rejeito de construção e isso é o que mais pega para a gente”, aponta. O gerente também indica que há um fiscal de pista que percorre os quase 250 km na semana para comunicar os problemas encontrados, como buracos, mato alto e, inclusive, carcaça de animais.  


SERVIÇO
Apesar dos serviços prestados, Mazur disse que a população também pode indicar ao DER quando houver corpos de animais pequenos neste trecho da PR-445. O telefone é: (43) 3258-8700. 


ANIMAL SILVESTRE

Além das áreas urbanas, os animais silvestres também sofrem em outro trecho da PR-445. De acordo com levantamento da ONG Mae (Meio Ambiente Equilibrado), de março de 2018 a janeiro de 2019, foram registrados 119 atropelamentos de animais no trecho de Londrina ao distrito de Guaravera (zona sul), ou seja, um animal é morto a cada três dias nesta extensão. Após constantes reuniões e debates com autoridades, medidas de segurança foram tomadas e as obras de segurança da fauna estão sendo realizadas. 


O presidente da ONG Mae, Gustavo Góes, conta que foi um longo caminho desde que se iniciaram as obras para que fosse realizado estudo adequado. “Nesses estudos encontramos alguns pontos críticos e entramos em debate para conquistar algumas coisas”, explica. Góes afirma que foi acordada a construção de duas passagens de fauna subterrâneas secas em pontos diferentes e um redutor de velocidade com sonorizador em outro local. “A gente pediu uma passagem maior, mas conseguiu uma menor do que o proposto. Elas estão sendo feitas agora, mas vai ter que fazer o monitoramento para ver a funcionalidade delas”, afirma. 


O estudo foi contemplado no Memorial Descritivo - Situação Locacional das Passagens de Fauna ao Longo da Duplicação da PR-445, apresentado em agosto do ano passado pelo DER/PR. O documento aponta os esquemas de passagens construídas, sobretudo na região do Corredor da Biodiversidade, que liga o Parque Estadual Mata dos Godoy ao Rio Tibagi.  




A ONG desenvolveu o relatório de atropelamento de animais em três rodovias estaduais e descobriu que quase 60 espécies foram afetadas em um período de 10 meses. Para o relatório foram feitas 40 viagens, totalizando 3.6 mil km percorridos. Na PR-538, foram registrados 166 atropelamentos em trecho de 46 km; na PR-218, 52 em extensão de 21 km; e, a maior incidência de morte de animais silvestres foi marcada na PR-445, que em um trecho de apenas 23 km, 119 animais silvestres foram mortos. Ao todo, 337 animais perderam a vida nas três rodovias.

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