Moradores de bairro convivem com lixo
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segunda-feira, 29 de março de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
''É tudo fruto de uma má administração.'' Assim Elias Satiro da Silva, 45, define a situação da Rua Manoel da Silva Bonfim, no Jardim União da Vitória II, Zona Sul de Londrina. Cercado por mato, entulho e água empoçada, Silva não suporta mais reclamar e não ser ouvido pela administração pública. ''Na televisão, a prefeitura diz que o bairro está sendo cuidado, mas a verdade é que estamos abandonados há um bom tempo'', reclama.
Silva mora no bairro há 12 anos e convive com o mau cheiro causado pelo lixo acumulado em um matagal em frente à sua casa. ''Eles jogam entulho, pneus velhos, lixo e até animais mortos. Minha casa já foi atacada por ratos diversas vezes'', afirma.
Camila da Cruz, 16, é vizinha de Silva e mora no Jardim há 13 anos. Ela sofre de bronquite asmática e tem dificuldade para respirar devido ao mau cheiro produzido pela queima de pneus velhos. ''Outro dia, meu cunhado matou uma cobra em frente à casa dele. Imagina se o bicho tivesse atacado alguém. Você acha justo sermos abandonados assim?'', revolta-se.
A adolescente conta que Silva limpou os bueiros da rua várias vezes, além de carpir um pouco do mato que avançava sobre o asfalto. ''O seo Elias já passou por diversas cirurgias e não tem saúde para fazer este tipo de serviço, que é de responsabilidade da prefeitura'', argumenta. Ela lembra que o vizinho chegou a desmatar uma área e plantar uma horta para a comunidade, que acabou sendo tomada pelo mato. ''Esta semana mesmo ele passou veneno no mato. Mas nenhum de nós tem condições financeiras de comprar o veneno'', diz.
Os moradores ainda se preocupam com a possibilidade do local ser foco do mosquito da dengue. ''Os agentes visitam as nossas casas, mas não se importam em verificar a mata em frente, que está totalmente alagada'', ressalta Ivana da Cruz, 39, mãe de Camila. A moradora acredita que há pelo menos dois anos o mato não é cortado pela Prefeitura. ''Quando chove, o esgoto cai dia e noite, os bueiros estouram e fica impossível transitar pela rua'', explica.
A diretora de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Rosimeiri Suzuki Lima, informou que independente de quem seja o proprietário do terreno baldio, a limpeza será feita. ''Iremos vistoriar o local para confirmar a denúncia e mesmo que não for de propriedade do município, a CMTU irá realizar a limpeza e, em seguida, a Secretaria Municipal de Fazenda irá encaminhar a cobrança do serviço ao proprietário.''


