As 65 famílias do Assentamento Novo Amparo II, zona norte de Londrina, não aguentam mais conviver com a falta d'água, energia elétrica e condições básicas de saúde. As mulheres passam o dia carregando baldes de água. Cedida por um empresa que tem um poço artesiano, a água fica armazenada em duas caixas na rua principal, que é tomada pelos buracos. Muitos moradores já tiveram pneumonia e têm dores pelo corpo.
A dona de casa Marilza de Oliveira Valentim, 49 anos, mora no assentamento há dois anos. ''Estamos pedindo aos políticos que se lembrem de nós. Na época da eleição o prefeito (Nedson Micheleti) esteve aqui, mas agora se esqueceu de nós. Só queremos a água encanada para facilitar um pouco a vida'', pediu. Marilza disse que as dificuldades são grandes, sem água e, muitas vezes, sem a cobertura adequada para os barracos. ''Quando começa a formar chuva a gente já ajoelha no chão para pedir a proteção de Deus, pois só Ele para olhar pela gente'', desabafou.
Todas as casas têm energia proveniente de ligações clandestinas (gatos). ''A qualquer momento pode acontecer um acidente. O que mais revolta é que estamos aqui já há três anos e meio e não houve nenhuma providência para melhorar a nossa situação'', disse o presidente da Associação de Moradores, Milton Pereira. Segundo ele, com liberação do terreno, que é da prefeitura, já podem ser providenciadas as instalações de água e luz.
Pereira informou que na semana passada esteve na Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), mas foi informado que o projeto ainda não havia sido liberado. ''Eles disseram que tudo estava na Secretaria de Obras. A gente não quer nada de graça, todos estão dispostos a pagar pelo terreno. Só queremos que as coisas sejam mais rápidas'', pediu.
O presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, informou que a liberação do terreno já foi feita e agora será feito o processo de licitação para a instalação de água e energia elétrica. ''Nós ainda não começamos o processo porque estamos agendando reuniões com a Copel e a Sanepar para tentar parcerias com eles'', explicou.
Afonseca disse que terá uma reunião com representantes da Copel amanhã. Segundo ele, o pedido é que a empresa entre com o material e a prefeitura pague a mão-de-obra. ''Acreditamos que em breve a situação irá se resolver. O prefeito tem interesse em resolver o problema o mais rápido possível, até porque a região é um dos locais de risco da dengue'', disse. No ano passado foram registrados 13 casos da doença no assentamento. O problema diminuiu com a distribuição, pela Secretaria de Saúde, de barris com tampa para armazenar água.

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