Mauro Lopes‘Barato’Matos, da Sanepar: taxa pode ser paga em 12 vezes, sem jurosCerca de 3 mil moradores de Altônia protestam contra o sistema de rede de esgotos domésticos implantado na cidade pela Sanepar. O encontro para deflagrar o movimento reuniu aproximadamente 200 moradores, segunda-feira, no salão da Igreja Betel. O grupo decidiu fazer um abaixo-assinado a ser enviado à diretoria da Sanepar em Curitiba. No documento os moradores pedem a redução das taxas cobradas pela Sanepar e isenção para as famílias mais carentes. Também não querem ser obrigados a aderir ao serviço.
Segundo um dos líderes do movimento, Osvaldo Herrera, os moradores estão sendo pressionados pela Sanepar a assinar o contrato de adesão ao sistema de esgoto. De acordo com Herrera, os valores cobrados pela Sanepar são ‘‘insuportáveis’’ para a população local, cuja renda é muito baixa. A companhia de saneamento cobra R$ 140,00 pela taxa de ligação e passa a cobrar todo mês 80% do valor da conta de água. ‘‘A companhia deveria estabelecer preços diferenciados, levando em conta a renda dos moradores e a realidade econômica de cada município’’, sugere Herrera.

Mauro LopesDilemaA aposentada Alzira: ‘‘Pensava que era de graça. Ninguém me falou nada’’O movimento popular em Altônia pede que o serviço de esgotos seja facultativo. A ligação ficaria a critério de cada um. Por consequência, quem já aderiu teria o direito de pedir o desligamento e devolução do dinheiro pago. Os moradores também pedem o fim da taxa de ligação, redução de 80% para 10% da conta de água o valor cobrado mensalmente pela manutenção do esgoto e gratuidade total para as famílias mais carentes.
A aposentada Alzira Teixeira Bernardo, 63 anos, está assustada com as taxas do esgoto doméstico, apesar de ainda não saber quando o serviço chegará à Rua Padre Anchieta, onde mora. Alzira está preocupada porque há um ano assinou documento favorável à implantação do esgoto.
‘‘Eu pensava que era de graça porque o pessoal da Sanepar não falou nada’’, argumenta. Alzira vive com o marido Vicente, também aposentado. O casal gasta a maior parte da renda com remédios para Vicente, que é diabético. Com o esgoto, a conta de água de Alzira passaria dos atuais R$ 8,00 para R$ 14,40.
Até 1990, Altônia não tinha rede de esgoto doméstico. Na primeira etapa, a Sanepar construiu 12,1 metros lineares no centro e lagoa de tratamento. Depois implantou mais 7 mil metros de tubulação. Hoje, cerca de 40% da cidade têm sistema de coleta de esgotos, mas os moradores beneficiados, inclusive comerciantes, recusam o serviço alegando ser muito caro. ‘‘Todo mundo acha os preços um abuso da Sanepar’’, insiste Herrera. Uma comissão de 10 pessoas vai tentar negociar com as autoridades as reivindicações dos moradores.
Segundo o gerente local da Sanepar, José de Matos, até agora foram feitas apenas 400 das 1.100 ligações previstas. Pressionados, outros 300 moradores assinaram o termo de adesão nos últimos meses. Matos informa que o preço do esgoto é o mesmo em todas as cidades do Estado porque o custo de implantação e manutenção não varia. A adesão é obrigatória, caso contrário, o proprietário do imóvel pode ser autuado pela Vigilância Sanitária.
Na opinião de Matos, os moradores se insurgem contra o serviço de esgotos por desconhecerem a importância do saneamento básico para a saúde pública. Segundo o gerente da Sanepar, a taxa de R$ 140,00 pode ser paga em 12 vezes sem juros ou parcelada em 36 meses. Já a taxa mensal é cobrada com base em cálculos de que 80% da água consumida nas casas retorna em forma de esgotos, cujo custo de tratamento é o mesmo da água.

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