Moradores de Adrianópolis têm anemia
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terça-feira, 26 de junho de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
Resultado parcial dos exames de sangue realizados entre 866 moradores de Adrianópolis (130 quilômetros ao Norte de Curitiba) pela Secretaria de Estado da Saúde mostram que 30% das 286 crianças (menores de 13 anos) e 17% dos 580 adultos apresentam quadros clínicos de anemia. Os casos serão agora submetidos a exames de plumbemia (dosagem de chumbo no sangue) para se ter confirmação se a alteração hematológica está ou não relacionada à contaminação por chumbo. Ao todo, a secretaria colheu amostras de sangue de 1,1 mil pessoas.
O diretor de Vigilância e Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde, Nereu Henrique Mansano, afirmou que a anemia pode ter várias causas e uma delas é a alimentação. Por isso a necessidade do novo exame. Os moradores daquela região de Adrianópolis não têm uma dieta muito rica em ferro, o que também pode ser uma das causas da anemia.
A Secretaria de Saúde iniciou a investigação epidemiológica há cerca de dois meses, quando foi denunciada a existência de vários depósitos irregulares de resíduos de chumbo no município. O trabalho foi concentrado nas localidades de Vila Mota, Capelinha e Rocha, consideradas áreas de risco.
De acordo com Mansano, os moradores passaram, primeiramente, por uma avaliação clínica, por meio de questionário, cujo objetivo maior era avaliar sintomas de intoxicação. Segundo ele, a princípio não foi observada sintomatologia aguda de intoxicação em nenhum dos 1,1 mil moradores.
Os dados parciais da Secretaria de Saúde, afirmou Mansano, batem com o resultado da pesquisa realizada pela Universidade de Campinas (Unicamp), que não apontou níveis de chumbo no sangue muito superiores a 40 microgramas por decilitro de sangue. Somente acima desse nível é necessário uso de medicação específica. Aparentemente não existem problemas mais sérios, declarou.
Pela pesquisa da Unicamp, 40,8% das 95 crianças analisadas apresentaram nível normal (até 10 microgramas/decilitro). Outros 36,7% ficaram com nível entre 10 e 14 microgramas/decilitro, 9,2% entre 15 e 19 e 13,3% entre 20 e 44 microgramas de chumbo por decilitro de sangue.
Mansano explicou que a secretaria vai fazer o cruzamento de todos os dados clínicos, nutricionais (peso e altura) e laboratoriais dos moradores para concluir a investigação. A conclusão do trabalho deve ser divulgada no próximo dia 10.


