Moradores da zona sul cobram volta de ônibus da Francovig
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terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Mário CésarReceioReunião com o secretário, ontem: moradores temem que Francovig deixe de atender zona rural
Um grupo de 30 moradores de bairros e localidades rurais da zona sul esteve na Prefeitura ontem pela manhã, pedindo providências e agilidade contra a determinação judicial que impede a Francovig de operar na malha urbana. Os ônibus da empresa que atende as linhas rurais da zona sul pararam de pegar passageiros nas ruas da Cidade na semana passada. Na falta do prefeito Antonio Belinati, que estava em Curitiba, eles foram atendidos pelo secretário de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, que prometeu interferir no processo.
A decisão do Tribunal de Justiça, acatando pedido da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), é do dia 27 de dezembro. A intimação à Prefeitura e à empresa Francovig foi feita no dia 6 de janeiro. O não cumprimento da carta-ordem acarreta multas diárias de R$ 10 mil para a Prefeitura e para a Francovig. Com a fiscalização, feita pela Companhia Muncipal de Urbanização (Comurb) os ônibus passaram a pegar passageiros apenas no Terminal Urbano de Transporte Coletivo.
A comunidade da zona rural teme que a Francovig pare de fazer as linhas distritais, caso a decisão judicial não seja revista. A empresa não pode manter os ônibus vazios fazendo as linhas, acredita a presidente da Associação de Mulheres do Patrimônio Selva, Maria José Teixeira Lopes. Nós dependemos desses ônibus.
Os moradores de bairros da zona sul também defendem a continuidade do embarque de passageiros pelas ruas de Londrina para que possam ter a opção do transporte mais barato. Eles lembram que, com a diferença de R$ 0,10 nas passagens das duas empresas, dá para comprar um pão. Nessa região é todo mundo carente, qualquer quantia faz bastante diferença, alega a presidente do Clube das Mulheres Batalhadoras do Jardim Franciscato, Rosalina Batista.
O secretário afirmou que entraria com um mandado de segurança pedindo a suspensão provisória da execução da carta-ordem, ontem mesmo. Amanhã, um representante da Prefeitura vai ao TJ pedir agilidade na apreciação do recurso. Depende exclusivamente do TJ, afirma o secretário.
Os moradores procuraram a Prefeitura orientados pelo próprio presidente do TJ, desembargador Cláudio Nunes do Nascimento. Na sexta-feira, uma comissão formada por 19 pessoas se reuniu com o desembargador em Curitiba, reivindicando que os ônibus da Francovig voltem a parar em pontos da Cidade.
O diretor da empresa de ônibus, Francisco Francovig, afirmou que ontem a sua assessoria jurídica também entraria com os recursos cabíveis ao caso.


