Pelo menos 320 estudantes do ensino fundamental e médio residentes em bairros da Zona Oeste de Londrina estão sendo obrigados a fazer supletivo, devido à falta de vagas na única escola estadual da região. A reclamação foi levada ontem ao Núcleo Regional de Educação (NRE), onde representantes de 10 bairros prejudicados cobraram do chefe do órgão, Rony Alves dos Santos, a construção de um novo colégio para atender à comunidade. Santos antecipou-se avisando que há um projeto para oferta de aulas a 1,2 mil alunos, mas não há previsão para início das obras por falta de dinheiro.
Para o presidente da Associação de Moradores dos jardins João Turquino e Maracanã, Aparecido Alves Júnior, a necessidade emergencial da comunidade é o atendimento dos alunos de ensinos fundamental e médio. Na Escola Estadual Olavo Garcia, a única a oferecer ensino de 5 a 8 séries para os moradores dos bairros, 950 alunos estão matriculados e as salas de aula não são aproveitadas no período noturno. ''Além da falta de vagas no ensino fundamental, não há escolas de ensino médio. Por causa disso, meu filho tem que andar até 16 quilômetros por dia para ir até a escola mais próxima'', reclamou.
A distância dos bairros da Zona Oeste para as escolas mais próximas também obriga alguns alunos a ir até Cambé (13 km a Oeste de Londrina). ''Vários outros desistem, por não terem condições de pegar ônibus'', afirmou a professora do programa para alfabetização para adultos da região, Neide Tardivo. Uma solução em caráter urgente buscada pelos moradores foi firmar um convênio com a Universidade Estadual de Londrina (Uel), para que a instituição fornecesse professores para turmas de supletivo. ''Vamos oferecer as aulas no Centro Comunitário do Maracanã. Assim, pelo menos parte dos alunos não perde mais um ano de aula'', contou a professora. Até ontem, o supletivo improvisado havia recebido 320 matrículas. Entre as propostas dos moradores estão a construção da escola no Jardim Colúmbia ou no Maracanã, além da ocupação das salas do Olavo Garcia no período noturno.
O chefe do Núcleo confirmou a necessidade de colégios em cinco pontos de Londrina, entre eles o da Zona Oeste. No entanto, somente dois bairros devem ser atendidos ainda neste ano. ''As prioridades da Fundação para o Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) são as escolas do distrito de Lerroville e do Conjunto Jamille Dequech (ambos na Zona Sul)'', explicou. ''A escola da Zona Oeste, que deve ter 10 salas e atender a 1,2 mil alunos nos três turnos, com laboratórios de química, física e informática. Ela orçada pela Fundepar em R$ 1,2 milhão, mas não há dinheiro para isso'', disse.
Alves afirmou que pretende ir a Curitiba hoje para negociar com o governo do Estado a inclusão desta escola nas prioridades da Fundepar para 2005. A escolha do local para as obras, segundo ele, depende da conclusão de estudos técnicos que vão levar em conta principalmente a direção para qual os bairros devem crescer. ''Acredito que o Maracanã deva ser contemplado, mas de uma forma que todos sejam atendidos satisfatoriamente'', garantiu. Os estudos devem terminar em julho.
Santos explicou também que as aulas noturnas na escola Olavo Garcia foram suspensas por causa de um período de grande violência enfrentado pela direção da escola. ''Em 2003, tínhamos alunos armados e muito vandalismo na escola. Mas a Polícia Militar nos ajudou neste problema e as aulas devem ser retomadas no ano que vem''.

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