Para não cair no buraco da evasão, que dificulta o fluxo escolar dos estudantes brasileiros, alunos londrinenses se esforçam para não ficar no meio do caminho, andando até sete quilômetros por dia para chegar à escola. São crianças e adolescentes, moradores do Parque Universidade (Zona Oeste), que gastam a sola dos chinelos de dedos calçado comum entre eles cortando caminho por uma plantação de soja para estudar na Escola Estadual Olavo Garcia, no Conjunto Avelino Antônio Vieira (Zona Oeste). Alguns vão mais longe ao estudarem em Cambé (13 km a Oeste de Londrina).
Margarida Nascimento Ferreira é uma das moradoras do bairro. Diariamente, a dona de casa repete sua via-crucis, agarrada nas mãos das filhas Anne Kellin, 10 anos, e Ariane Larine, 11 anos, ambas alunas da quinta série na Escola Olavo Garcia. ''Levo as meninas ao meio-dia e volto para casa. Às 15 horas, elas já estão saindo porque faltam professores. Novamente vou até a escola para buscá-las. Prefiro acompanhar as crianças porque tenho medo de que alguma coisa aconteça. Um dia, um motoqueiro me cercou nesse lugar'', aponta a mãe, que corta caminho pela plantação de soja, andando 12 quilômetros por dia nessas idas e vindas.
Histórias que fazem parte do dia-a-dia de 950 alunos de 5 a 8 série da região Oeste, que têm que ir a pé ou de ônibus até a Escola Olavo Garcia, construída há 22 anos. Uma estimativa da Associação de Moradores do Parque Universidade lista 1,5 mil alunos que precisam de uma escola no bairro.
Na semana passada, eles se reuniram com representantes do Núcleo Regional de Educação (NRE). Mas, descontestes com a resposta do NRE, que informou que uma escola seria construída no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), os moradores prometem continuar com as manifestações. A última foi realizada no dia 9 de fevereiro.
A obra seria erguida através de uma parceria entre a Fundação para o Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) e a UEL e contaria com 16 a 20 salas de aula. O chefe do NRE, Rony Alves dos Santos, destaca que a universidade tem recursos para a obra, que poderia começar ainda este ano, com previsão de término em oito meses. A escola teria vagas para entre 2,9 mil e 3,1 mil alunos dos ensinos fundamental e médio. ''A escola atenderia essa clientela com todo o aporte estrutural da UEL, que inclui laboratórios de idioma'', afirma Alves.
''Os moradores não concordam com essa escola na universidade. Vamos reunir a comunidade e voltar ao núcleo'', rebate o presidente da Associação de Moradores, Donizete Pereira dos Santos. ''A gente entende a limitação econômica dos moradores. O núcleo não arbitrou a decisão em cima dessa situação da comunidade. Porém, entendemos que, se for para atender o interesse dos moradores, a escola poderá ser construída no terreno doado pela prefeitura'', afirma Alves. Ele abre mais um canal de negociação, destacando que a obra da escola no bairro demoraria mais para ser iniciada, já que ainda não há recursos.
Enquanto não se chega a um consenso, dona Margarida Nascimento Ferreira espera na fé, que é a única coisa que não falta para muitas pessoas: ''O que for melhor para a gente, Deus proverá''.

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