Lino Ramos
De Londrina
Uma marmoraria instalada na esquina das avenidas Jules Vernes e Vicente Bocuti, no jardim Maria Lúcia, zona oeste de Londrina, está tirando o sossego de famílias vizinhas à empresa. A cabeleireira Heroy Sampaio, 48 anos, reclama que desde outubro, quando a empresa foi instalada no local, o barulho e a poeira são constantes. ‘‘É um barulho, um pó, um mau cheiro, estou vivendo num inferno’’, desabafa.
Heroy Sampaio reclama que a filha não consegue estudar por causa do excesso de ruído. A menina também teria contraído uma alergia por causa do pó de mármore. A dona-de-casa Lourdes Backon, 54 anos, conta que inicialmente os proprietários disseram que seria apenas um depósito para a comercialização de mármore, mas logo chegaram máquinas pesadas que atormentam a vida dos moradores. ‘‘Vivemos com um gosto amargo na boca, nossas roupas ficam sujas, mas eles dizem que os incomodados que se mudem’’. Ela afirma que o problema já foi comunicado à Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), mas nenhuma providência foi tomada.
Antonia Didi de Freitas, presidente da Pastoral da Saúde da região oeste, também levou o problema à Secretaria de Saúde de Londrina, que prometeu fazer uma fiscalização, mas até ontem disse que ninguém havia aparecido. A proprietária da marmoraria (que não quis se identificar) garantiu ter alvará de funcionamento. De acordo com a mulher, a prefeitura concedeu um prazo para que a empresa encontre um novo local para que ninguém seja prejudicado.
O técnico em planejamento da secretaria de Fazenda de Londrina, Edélcio Roberto Palhares, disse que o proprietário da marmoraria pediu, em 26 de janeiro, prazo de 90 dias para a empresa se adequar ou encontrar um novo local para se instalar. Mas o município concedeu 30 dias de prazo, que terminou no dia oito deste mês.
Palhares explicou que o laudo do IAP apresentado pelo proprietário revela que a marmoraria não possui sistema de contenção da poeira. ‘‘Vamos iniciar a cassação do Alvarᒒ, garantiu. Segundo ele, após a notificação, a empresa terá 10 dias para recorrer. De acordo com o técnico, a empresa está infringindo o artigo 237 do Código de Posturas do Município. Ele lembra que a cassação do Alvará também pode ser embasada na denúncia de cidadãos que se sentem prejudicados com a situação.