Moradores da zona norte vivem clima de insegurança
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
O ambiente tranquilo da Rua Francisco Arias, no Conjunto Semíramis (zona norte), na tarde de ontem, em nada lembrava os momentos de medo pelos quais passaram os moradores no final da manhã, quando um homem de 30 anos foi morto em uma troca de tiros com a Polícia Militar.
Assustados, poucos moradores saíram de suas casas. Com a notícia de que um dos rapazes ainda estava foragido, alguns preferiram não se arriscar. O medo tomou conta de uma rua considerada bastante tranquila por seus próprios habitantes. "Moro aqui há 30 anos e nunca tinha visto uma movimentação como a de hoje. Não tem como não ficar assustado", contou um idoso que pediu para não ser identificado.
Uma dona de casa, que também preferiu manter a identidade em sigilo, disse que o ocorrido de ontem não é uma situação comum. "Aqui é bem tranquilo e por isso a gente fica muito assustado. Em plena luz do dia, um negócio desses. É até difícil de falar porque a gente nem sabe direito o que aconteceu", afirmou.
De acordo com informações da Polícia Militar, a abordagem aos suspeitos começou quando eles identificaram na garagem de uma residência um veículo Fiesta, com placas de Curitiba, que constava no sistema como roubado. Ao notarem a presença da polícia, os suspeitos tentaram fugir e atiraram contra os policiais. Na troca de tiros, Tiago Augusto de Oliveira foi baleado e morreu no local. O outro suspeito fugiu. Ele permanecia foragido até o final da tarde de ontem.
Ainda de acordo com a PM, o veículo havia sido usado pelo grupo que participou de um atentado contra um policial de folga na noite da última segunda-feira (25). O carro foi flagrado por uma câmera de segurança minutos antes dos disparos.
A polícia também encontrou no local duas pistolas e um colete à prova de balas. "Isso demonstra que eles estavam orquestrando ações criminosas. Estamos em diligências em busca do outro suspeito. Um inquérito será aberto para apurar as razões e a sequência desses fatos", comentou o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, major José Luiz de Oliveira. Com esta, já chegam a três o número de óbitos na cidade em supostos confrontos com a PM.
HOMICÍDIOS
A morte de ontem ajudou a aumentar o clima de insegurança que ronda a zona norte de Londrina desde o início da semana. Em apenas três dias, foram computados sete homicídios na cidade, sendo que cinco deles aconteceram na região. "Aqui está complicado. Tem pouco policiamento, a falta de segurança no bairro é geral. A gente fica muito inseguro com tudo o que tem acontecido", disse um comerciante, que trabalha na zona norte há mais de 15 anos. Ele contou que já foi assaltado e, há dois meses, teve seu estabelecimento arrombado, o que lhe deixou um prejuízo de R$ 4 mil.
O último homicídio registrado na zona norte de Londrina foi na madrugada de ontem. Indiovan da Corte Tavares, de 20 anos, foi morto a tiros no Jardim Novo Amparo. Foi o 13º homicídio computado desde o início do ano na cidade. A Polícia Civil informou que está investigando todos os casos. "Houve um aumento significativo, mas as coisas estão sob controle. As autoridades estão investigando e a população pode ficar tranquila", garantiu o delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial, Sebastião Ramos dos Santos Neto.


