Moradores da Zona Norte cuidam do Cabrinha
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domingo, 22 de outubro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Os moradores do Conjunto Violin, Quadra Norte, João Paz e Semíramis (Zona Norte de Londrina) participaram ontem do 1 Dia Ambiental, organizado pelo projeto Repare (Recuperação Participativa de Recursos Hídricos), da Ong MAE (Meio Ambiente Equilibrado). Foram plantadas mudas em torno do córrego Cabrinha, realizadas oficinas e trilhas urbanas, além de atividades culturais e de lazer.
O objetivo da mobilização era chamar a atenção da população para os problemas ambientais que ocorrem na microbacia hidrográfica do Cabrinha. ''Muitos problemas que acontecem aqui, a gente vê em Londrina inteira. Escolhemos começar pelo Cabrinha, mas o trabalho precisa ser feito em vários pontos'', afirma a integrante da ONG Mae, Laila Menechino.
Naquele córrego em especial, ela explica que há 360 ligações irregulares de esgoto - antes eram 900 -, além de galerias pluviais que despejam diversas variedades de resíduos diretamente no córrego. ''Na própria nascente, que já foi soterrada quando lotearam aqui, há duas galerias que despejam diarimente vários tipos de materiais que a água da chuva carrega até o lago'', aponta.
Para conter essa poluição - chamada de difusa, pois não há uma fonte emissora específica -, a ambientalista acredita na participação da população. ''O primeiro passo é cada morador ligar adequadamente sua casa no sistema de esgoto. Os órgãos públicos também precisam realizar algumas mudanças estruturais e para isto nós também estamos trabalhando'', orienta.
As colegas Alinne Nunes, de 16 anos, Ariane Rocha, de 15, e Francielli Lopes, de 17 anos, acreditam que também é preciso levar informação aos moradores. Elas participam de uma oficina de rádio que integra o projeto de educomunicação, desenvolvido na região pelo Centro Social Marista Irmão Acácio. ''Além de mudar os nossos próprios hábitos, podemos ajudar dando informações de qualidade'', argumentam.
O estudante, Kaique Yuri Sousa Silva, de 10 anos, completa que é preciso cuidar diariamente do córrego. Abrindo buraco para plantar uma muda na beira do Cabrinha, ele deu lição de cidadania: ''Vou plantar para não dar erosão e não juntar sujeira. Depois, todos os dias vou vir aqui cuidar de todas as mudas plantadas''. Entre as espécies que foram distribuídas ontem, ao longo do córrego, estão algumas nativas, como amora brava, louro branco, açoita cavalo, ingá e angico.


