Os moradores do Jardim Califórnia, na zona leste de Londrina, voltaram a sentir tremores de terra na noite de domingo e na madrugada de ontem. Barulhos como o de uma explosão, seguidos de tremores que duram poucos segundos, foram registrados 14 vezes pela comissão de moradores do bairro. A informação foi repassada por um dos integrantes, o professor aposentado Fernando Prado de Andrade. "O tremor da 1h38 foi o mais forte", afirmou ao mostrar o papel com a anotação dos horários dos abalos e a intensidade.
Na manhã de ontem, os moradores cobraram providências. Para o aposentado José Orlando Assunção, o problema está ligado à Sanepar. "Tinha que desligar essa rede da Sanepar por uns três ou quatro dias para ver se não tem a ver mesmo com a empresa. Está todo mundo apavorado aqui", defendeu. "As pessoas aqui não acreditam em terremoto. A gente quer uma investigação séria sobre isso", disse o artesão Agnaldo de Freitas.
As reclamações por causa dos tremores começaram a ser registradas na segunda semana de dezembro. O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) constatou dois abalos: um de magnitude 1.8 na Escala Richter no dia 14 de dezembro e outro de magnitude 1.9 no dia 1º de janeiro. Representantes da prefeitura e técnicos da Sanepar monitoram as ocorrências.
Na última semana, técnicos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP) instalaram quatro sismógrafos portáteis. Os aparelhos começaram a funcionar na última quinta-feira. Um novo tremor de magnitude 2.8 foi registrado na última sexta. No entanto, o geólogo da UEL, José Paulo Pinese, informou que se tratava apenas de um teste com o equipamento. "Soubemos que estava programada uma explosão em uma pedreira da zona sul e achamos interessante verificar o funcionamento do sismógrafo no local. O sistema on-line acabou repassando para o site da USP", explicou. Até o fim da tarde de ontem, o Centro de Sismologia da USP não havia confirmado um novo tremor entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, conforme relatos dos moradores. "Ainda estamos investigando", disse Pinese.
O geólogo explicou que, como o sistema on-line não identificou o abalo decorrente da detonação na pedreira como teste, os sismógrafos não estão mais fazendo a alimentação do site em tempo real. Então é preciso aguardar a atualização pelo Centro de Sismologia. "Como eles estão fazendo monitoramentos na Bahia, Minas Gerais e em Mariana (MG), pode demorar um pouco." (Colaborou Aline Machado Parodi)

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