Moradores da Zona Leste querem justiça
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sábado, 23 de fevereiro de 2008
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
A palavra de ordem dos moradores do Conjunto Ernani Moura Lima, na Zona Leste de Londrina, é justiça. Ontem, um grupo realizou um protesto no bairro, pedindo a prisão do pedreiro Marcelo Correia dos Santos, 29 anos, que foi solto pela polícia após confessar o estupro de uma professora, de 33 anos, há uma semana. O caso aconteceu sábado, dia 16, às 6h30 da manhã, quando a vítima se dirigia ao trabalho, na Avenida Jamil Scaff. O rapaz, que foi detido na segunda-feira, não ficou preso porque não havia sido pego em flagrante.
Com cartazes em punho, pedindo mais atenção da polícia e do poder público para a região, os moradores percorreram as ruas do bairro e pararam em frente ao terreno onde aconteceu o estupro. O local abriga uma plantação de ''vassouras'' e, segundo os moradores, é bastante perigoso. Eles pedem a prisão do acusado, a limpeza do terreno e refoço policial. A reportagem procurou o delegado chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Barroso, mas até o fechamento desta edição não havia nenhuma novidade sobre o caso.
Indignada, a dona de casa Cleide Ribeiro, afirmou que todo mundo do bairro, homens e mulheres, estão revoltados. ''Esse cara é um bicho. Uma pessoa dessas, quando é presa, não pode ser solta'', disse. O comerciante Rogério Rodrigues Pesqueiro afirmou que se a polícia não prendê-lo e se os moradores o encontrarem antes, ele será linchado. ''Queremos a prisão dele, mas se isso não acontecer, nós mesmos vamos fazer justiça'', reforçou Pesqueiro.
A moradora Maria José dos Santos, que ajudou a socorrer a vítima, contou que o clima de terror se instalou no bairro. ''Todo mundo está com muito medo, principalmente as mulheres. Agora a gente está com receio de sair sozinha, ir trabalhar'', frisou. A filha de Maria, a estudante Taís Priscila, 18 anos, disse que depois do ocorrido tem feito o noivo ir buscá-la todo dia à noite na saída do colégio. ''Antes, isso não era necessário'', lembrou.
As moradoras do bairro contaram que existem outros casos de violência sexual nas redondezas. Após a divulgação da foto, pelo menos outras duas mulheres reconheceram o pedreiro por outras tentativas de assédio sexual. Conforme informações dos moradores, o pedreiro mora na região e, durante a semana, chegou a ir a uma padaria do bairro, tranquilamente. Desde sexta-feira, os moradores da Zona Leste estão espalhando cartazes com a foto do pedreiro, em casas comerciais, alertando a população.
Para o fiscal de pátio, Dorival dos Santos, a solução para casos como esse em que o rapaz foi solto, mesmo tendo confessado o crime, seria a alteração da legislação brasileira. ''Se a lei vigente fosse mais rígida, o cara teria pensado duas vezes antes de fazer aquilo'', revoltou-se.
Na sexta-feira, o delegado da 10 SDP afirmou à reportagem da FOLHA que a polícia agiu corretamente. Ele destacou que a polícia não pode cometer arbitrariedade, precisa seguir a lei. E reforçou que no momento em que houve a confissão do crime não havia elementos para mantê-lo preso. Barroso lembrou que três situações prevêem a prisão em flagrante: quando a pessoa é flagrada cometendo o crime, quando é flagrada no local após o crime ou quando há perseguição policial.
Família - O marido da vítima, o também pedreiro Wanderley Frada, 28 anos, contou que toda a família está com medo e ainda não conseguiu entender o que aconteceu. ''Somos uma família honesta, minha mulher é trabalhadora. Foi inacreditável o que aconteceu'', lastimou. Frada disse que a esposa está bastante traumatizada e não tem conseguido dormir direito à noite.


