Moradores da zona leste ignoram riscos da esquistossomose
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2002
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Os três novos casos de esquistossomose diagnosticados esta semana em moradores do Jardim Perobal (zona sul) reacenderam a preocupação para o problema. Londrina já registra este ano 40 casos da verminose, sendo que 28 foram contraídos na própria cidade, oito em outros municípios e quatro ainda aguardam o resultado de exames. A zona leste é o grande foco do Shistossoma mansoni, verme que transmite a doença. Segundo dados da Gerência de Epidemiologia da Secretaria de Saúde, só o Córrego Londrina foi responsável por contaminar 19 pessoas. Outros seis casos foram adquiridos no Córrego das Pedras, dois no Córrego Bom Retiro e um no Córrego Cambezinho.
Apesar dos riscos, é fácil encontrar crianças brincando nas águas destes locais. Ontem à tarde, a equipe da Folha flagrou algumas se divertindo no Córrego das Pedras. Áurea Barbosa Vilas Boas, moradora do bairro Santa Inês, por onde o córrego passa, disse que é dificil controlar as crianças, ''elas são teimosas e não saem da água''. Seu filho Juarez Barbosa, de 25 anos, contraiu a esquistossomose este ano. ''Ele tomou a medicação e ficou bom, agora acho que é bom repetir o exame'', contou.
A gerente de epidemiologia da Secretaria de Saúde, Josemari Arruda Campos, explicou que o verme da esquistossomose entra no corpo da pessoa através da pele. ''As vezes, no local por onde ele entrou pode haver um indício da doença que é coçeira'', explicou. Ela destacou que a doença possui uma fase silenciosa que é quando a cercária (verme) vai circular pelo sangue e se estabelecer no intestino ou fígado da pessoa. ''Depois, a pessoa pode se sentir indisposta, ter diarréia. Às vezes não apresenta nem sintomas'', descreveu Josemari Campos. Para detectar a doença é preciso fazer o exame parasitológico das fezes.
A população que mora perto desses córregos citados, em locais onde não há saneamento básico, são as que apresentam maior risco de adquirir a doença. ''O ideal é não ter contato com a água contaminada. Não se deve nadar, pescar ou lavar roupas nesses locais. Se houver muita necessidade de andar na beira do córrego, tem que usar calçado'', orientou Josemari. Fora isso, os cuidados básicos com higiene e alimentação também são indicados, ''é importante lavar bem as mãos e os alimentos'', ressaltou a gerente. O tratamento é simples com uma dose única de remédio.
Para que a larva do verme da esquistossomose se desenvolva é preciso que haja água doce, parada e a presença do caramujo Biomphalaria labrata ou Biomphalaria straminia. É neste caramujo que a larva vai se hospedar e se desenvolver durante três ou quatro semanas para então saírem nas águas como cercárias. A esquistossomose é uma doença crônica e as larvas podem se reproduzir dentro do organismo da pessoa contaminada. ''Se acontecer da população de vermes crescer muito, a pessoa pode desenvolver uma espécie de hepatite e cirrose'', salientou a gerente.


