Moradores da Vila Yara (Zona Leste de Londrina) procuram uma solução para os problemas em relação às vias de acesso e saída do bairro. Eles reclamam que, com as mudanças resultantes da duplicação da Avenida Carlos João Strass e na BR-369, o bairro ficou dividido em dois pela rodovia, e o trânsito de metade dele foi bastante prejudicado. ''Nós dormimos uma noite tranquilos, com a situação normal, e, quando acordamos, já não sabíamos como sair do bairro'', reclama o estudante Vinícius Yoma Bueno.
Ele lembra que a padaria, o posto de gasolina, o açougue, a farmácia e o posto de saúde do bairro ficam do outro lado da rodovia, mas, para atravessá-la de carro, é preciso percorrer uma grande distância. ''Hoje, para ir abastecer no posto de gasolina, que fica a uns 50 metros daqui, é preciso andar cinco quilômetros, contando a ida e a volta, porque é preciso seguir a rodovia até próximo à Avenida Duque de Caxias, para poder passar para o outro lado da pista'', complementa Maria de Lourdes, que mora no bairro há 48 anos. Segundo a moradora, a outra forma de se chegar à ''parte de cima'' do bairro seria dando uma outra grande volta pela Carlos João Strass para chegar até a Avenida Dez de Dezembro.
Para tentar resolver o problema, cerca de 80 moradores reuniram-se na segunda-feira com o arquiteto Hirak Ohara, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), e o vereador Gláudio de Lima. O engenheiro levou um projeto de modificação dos sentidos de algumas vias, elaborado pelo órgão, de modo a melhorar o acesso para o bairro. A proposta prevê a definição de um único sentido para as ruas Flamengo (que passaria a ser centro-bairro) e Aratinga (mudaria para bairro-centro), e a inversão de sentido da Suindará, para bairro-centro. Os moradores aceitaram, mas pediram que a Rua Suindará, onde está localizado o Detran, tivesse dois sentidos. Na ocasião, também pediram uma melhor sinalização do trânsito no bairro.
''Estamos estudando essa proposta deles, mas considero difícil adotá-la, porque o fluxo de veículos na Suindará é muito grande. Temos medo de que essa mudança acabe resultando em acidentes graves'', afirma Ohara. O arquiteto explica que, com a proposta original, o acesso para o outro lado da rodovia vai ser facilitado. Já para retornar ao bairro, seria preciso pegar a Rua Tapuias até a Avenida Dez de Dezembro e seguir até a Rua Noitibó, para então ter acesso às ruas do bairro e ao Detran.
Porém, independentemente dos resultados obtidos com a prefeitura, o estudante adianta que os moradores vão se reunir com o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), para pedir a inclusão, na BR-369, de uma baia de acesso que facilite o trânsito dos moradores para a outra metade do bairro. ''Estamos tentando resolver através do diálogo. Mas, se isso não for possível, nós vamos fazer um daqueles protestos que sabemos fazer, e interditar o trânsito da BR-369'', ameaça, fazendo alusão a uma grande manifestação realizada há alguns anos, em que os moradores exigiam a construção de uma passarela.
Bueno ressalta que não são apenas as mais de 450 famílias do bairro que estão sendo prejudicados. ''Os comerciantes da parte de cima tiveram entre 20 e 30% de queda nas vendas. E os moradores dos jardins Ideal, Castelo, Vila Casoni e toda a região Leste da cidade também estão sofrendo as consequências dessas mudanças'', argumenta.

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