Moradores da sede são contra
Os moradores da cidade de Tapira aderiram à briga entre a igreja e o prefeito. Eles não concordam com a construção das praças e alegam que o dinheiro deveria ser aplicado na compra de medicamentos. Entre as principais reivindicações feitas pelos moradores de Tapira entrevistados pela Folha, a mais importante, na opinião deles, é a melhoria na assistência médica.
‘‘Temos dois médicos na cidade, mas um dificilmente atende no posto porque a prefeitura não paga. Quando o povo precisa de um medicamento e vai pedir no posto nunca tem. Eles falam que o posto não fornece medicamentos caros, mas na verdade o posto não tem nenhum remédio. E no caso de medicamento caro, por que a prefeitura, em vez de construir praças, não ajuda aqueles que não têm condições de comprar remédios? ’’, pergunta a comerciante Eva Moura Fernandes, 30 anos.
Para o lavrador Antônio Januário de Lima, 64 anos, a cidade tem outras prioridades além das praças. ‘‘O prefeito quer construir praças e deixar o povo morrer sem remédios. Além disso, o povo está sem dinheiro porque não recebe da prefeitura.’’ Segundo ele, o problema não é a praça. ‘‘O prefeito pode até construir as praças, desde que melhore a saúde e pague o funcionalismo.’’
A mulher de um servidor municipal, que pediu para não ser identificada por medo de que o marido sofresse represálias, afirmou à Folha que o salário está atrasado e que o prefeito costuma pagar um mês e outro não. ‘‘Já aconteceu do meu marido ficar quase dois meses sem salário’’, disse. (L.P.)