Moradores da periferia são mais atingidos pela greve
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segunda-feira, 28 de agosto de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Sem reajuste ou diálogo, os servidores municipais de Londrina chegam hoje ao 21º dia de greve. Se nas negociações, eles estão numa ponta e na outra os administradores públicos, a população permanece no meio, com dificuldade de atendimento nas unidades básicas de saúde (UBS). A Folha percorreu alguns bairros para ouvir os londrinenses sobre os efeitos da greve e também constatou: os moradores da periferia sentem diretamente os efeitos da paralisação.
O aposentado Antônio da Silva, morador da Zona Leste, é taxativo: ''Essa greve está errada. Só sofrem os pés-de-chinelo. Só perde quem já não tem nada!''. Para Patrícia Cristina Teodoro, 26 anos, moradora do Jardim Pindorama, também na Zona Leste, a reivindicação dos trabalhadores é justa, os efeitos da paralisação é que são o problema, como a falta de atendimento para a filha de um ano e nove meses, por exemplo. ''Ela já teve diarréia, vômito, e não tinha onde ser atendida. Ainda que na creche o atendimento esteja normal, mas sem o posto (de saúde) fica difícil, né'', critica.
Na Zona Norte, as aposentadas Margarida Manfredini, 61, e Delvira Carneio, 76, enfrentam dificuldade para conseguir consultas e remédios. Moradoras do Conjunto João Paz que tem UBS própria, mas está fechada , elas reclamam que ''não dá para ir até o (UBS) Maria Cecília''.
Margarida tinha consulta marcada para o último dia 23, onde apresentaria ao médico os exames de sangue que havia realizado. ''Aqui no João Paz, eles não estão abrindo nem para dar remédio, menos ainda para médico ver exame. Isso que eu preciso dos comprimidos de pressão'', destaca. A vizinha reclama: ''Lá no centro ainda tem o PAM (Pronto Atendimento Municipal), a gente aqui é que fica sem nada''.
O comerciante, Antônio Carlos Bim, que mora no Centro de Londrina e tem uma loja de aquários, concorda. ''A gente não fica tão afetado diretamente, porque os meus filhos já estão na universidade e não dependemos de posto de sa© úde, mas acho que para quem mora nos bairros mais afastados certamente não está fácil'', analisa.
Porém, ele acha que os efeitos da greve para o próprio comércio são apenas indiretos. ''Tem gente que compra todo mês aqui e agora disse que não sabia se ia receber salário. Aí, ou não compra ou empurra a dívida para o próximo mês. Esses são os únicos efeitos da greve para mim''.
Ontem, de acordo com as secretarias municipais, 29 unidades básicas de saúde não funcionaram. Ao todo são 54 UBS. As unidades do Jardim União da Vitória (Zona Sul), Maria Cecília (Zona Norte) e Leonor (Zona Oeste), mantiveram atendimento, assim como o Pronto Atendimento Muncipal, Maternidade, Centro de Especialidades Odontológicas, Samu e Policlínica. Na educação, apenas 5% das escolas municipais não funcionaram ontem.


